• Quinta-feira, 23 de Abril de 2026
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Quentin Tarantino, um dos maiores mestres do cinema atual

Vou partir do pressuposto de que todo mundo sabe quem é Quentin Tarantino e conhece ao menos um de seus filmes, e pular a introdução de apresentação ao que considero um dos maiores e melhores diretores do cinema. O diretor é um dos mais influentes e autênticos desde o lançamento de seu primeiro filme em 1993 e eu vou usar o meu espaço aqui para falar tudo o que torna Tarantino um dos nomes mais importantes do cinema atual. Se você já assistiu alguns filmes do diretor sabe que eles são facilmente reconhecíveis, o que já mostra a sua maestria em criar uma obra artística. Reconhecer um filme do diretor se torna tarefa fácil uma vez que você consegue perceber essas quatro características: roteiros não lineares, diálogos excelentes, infindáveis referências à cultura pop e muita violência. Se o filme que você está vendo possui esse combo completo, ele provavelmente é um filme escrito e dirigido por Quentin Tarantino. 

Tarantino começou sua carreira como roteirista, mas logo correu atrás de dirigir seu primeiro filme, então em 1993 ele lançou o que considero o melhor filme de sua carreira até hoje, Cães de Aluguel (Resevoir Dogs). Assistindo a seu primeiro longa já é possível notar a existência dessas quatro características. Os diálogos longos e interessantíssimos, a história contada mostrando flashbacks, as referências à música (há uma cena em que os personagens discutem sobre Like a Virgin de Madonna, além de outros momentos marcantes ao longo do filme), e a violência que rola solta é tão bem construída que pode ser difícil acreditar que esse foi o primeiro trabalho do diretor. Mas ao mesmo tempo, Pulp Fiction foi o segundo filme de Tarantino e é considerado um dos maiores clássicos da história do cinema, então digamos que o diretor já iniciou sua carreira mostrando que sabia fazer cinema. Foi com Pulp Fiction que a maestria de Tarantino começou a ser realmente notada, já que os elementos usados em Cães de Aluguel foram vistos novamente no filme de 1995. Aí já se tinha a certeza de uma coisa, Quentin Tarantino era o mestre dos diálogos corriqueiros, que são aquelas cenas em que os personagens falam sobre algo cotidiano, ou sobre um assunto que não vai interferir muito na trama. E foi justamente com Pulp Fiction que Tarantino levou seu primeiro Oscar de melhor roteiro original, o segundo veio anos mais tarde com Django Livre. O que diferencia Tarantino de outros diretores que tentam criar boas cenas corriqueiras são, além do tema escolhido para a conversa, as razões para sua existência: criar empatia com o público, aumentar a atenção na cena e criar o humor. Saber balancear essas cenas com diálogos inteligentes, divertidos e que deixam seu espectador nervoso faz com que os diálogos corriqueiros de Tarantino sejam tudo menos triviais. Um exemplo que eu sempre gosto de dar é de Cães de Aluguel, na cena de abertura do filme, além de falarem sobre Madonna, o grupo de homens que está a momentos de partir para um assalto, discute sobre dar ou não gorjetas à garçons em restaurantes, nas entrelinhas o diretor nos entrega algumas características importantes de alguns dos personagens enquanto levanta um tema polêmico e em um formato que chega a ser divertido. Outro exemplo é na cena de Django Livre (Django Unchained) em que os supremacistas brancos se encontram a noite com máscaras com furos cobrindo seus rostos e discutem sobre não conseguirem enxergar direito com elas porque os furos não foram bem feitos, é outro exemplo excelente de um diálogo corriqueiro que tem a intensão de nos fazer rir e mostrar a situação de forma tão absurda quanto a própria existência dos supremacistas.  É possível notar esse tipo de cena em todos os seus filmes. Eu inclusive já falei por aqui sobre o diálogo da cena de abertura de Bastardos Inglórios, que consegue sozinho, tornar toda a cena tensa e envolvente, ao mesmo tempo que nos dá uma incrível apresentação ao vilão do filme. (https://uaaau.com.br/uaaau-show/generos-o-que-faz-um-suspense).

Justamente por gostar tanto de usar a cultura pop a seu favor que alguns filmes de Tarantino se tornaram tão famosos e tão amados pelo público, veja como exemplo Kill Bill Vol. 1 e Vol. 2. Os longas são uma aula de como usar referências em seus trabalhos e fazer jus a seus artistas originais, por mais que o diretor faça isso em todos os seus filmes, os que mais me chamam atenção quando falamos de referências são os dois filmes de Kill Bill que são recheados de influências de filmes japoneses. Não é à toa que Tarantino é considerado a enciclopédia do cinema, o diretor não só entende tudo de filmes, mas conhece tudo o que é filme, sejam eles populares ou absolutamente nada populares. A outra forma que Tarantino gosta de abusar de boas referências é através de suas trilhas sonoras, é fato que uma boa trilha sonora melhora qualquer filme, e Tarantino sabe muito bem disso. O diretor é apaixonado por música e já disse que escreve com base nas músicas que ouve, isso também é bem evidente em seus longas. São muitos os filmes do diretor que possuem cenas marcantes que envolvem alguma música antiga, e é claro que dois momentos muito marcantes vieram de seus dois primeiros trabalhos. Em Cães de Aluguel vemos um personagem torturando um policial enquanto toca ao fundo Stuck in the Middle With You do Stealers Wheel, ele canta e dança a música em tom animado em um momento que causa repulsa. Em Pulp Fiction isso já é bem diferente, essa é sem dúvidas uma das mais famosas cenas de dança do cinema, em que os personagens de Uma Thurman e John Travolta dançam bem desajustados em um bar temático, a própria coreografia da dança foi baseada no filme Aristogatas (Aristocats – 1971) é um momento emblemático e que tornou a música You Never Can Tell de Chuck Berry memorável para qualquer um que tenha assistido ao filme. Com isso, Tarantino consegue escolher muito bem suas músicas para que elas tenham grande relevância em momentos emblemáticos de seus personagens fazendo com que a cena e a música escolhida se tornem clássicas. Parece que tornar algo clássico é outra especialidade do diretor. Finalizando, eu vou deixar aqui uma lista com os filmes do diretor que precisam ser assistidos, ou seja, toda a sua filmografia. E para felicidade geral dia 15 de agosto estreia o próximo filme do diretor, que, para infelicidade geral, já falou que está prestes a se aposentar, portanto,  Era uma Vez em Hollywood (Onde Upon a Time in Hollywood – 2019) pode ser seu último trabalho no cinema. Continuamos torcendo para que não seja o caso.

Cães de Aluguel (Reservoir Dogs – 1993)

Pulp Fiction – Tempos de Violência (Pulp Fiction – 1995)

Jackie Brown (1997)

Kill Bill Volume 1 (Kill Bill Vol. 1 – 2003)

Kill Bill Volume 2 (Kill Bill Vol. 2 – 2004)

À Prova de Morte (Death Proof – 2007)

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds – 2009)

Django Livre (Django Unchained – 2012)

Os Oito Odiados (The Hateful Eight – 2015)

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