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Declínio da área de tabaco na região de Araranguá

As pessoas com um pouco de experiência, devem lembrar muito bem do quanto a região de Araranguá se destacava na produção do tabaco (comumente chamado de fumo). Nas décadas de 70 e 80 era muito comum em cada propriedade encontrar 2 a 3 estufas para a secagem do tabaco. Mas essa realidade mudou, e hoje, se não fosse as lavouras do tabaco à campo, muitos poderiam até desconhecer que ainda temos centenas de famílias na atividade.

Meus pais, como muitos na região, labutaram por mais de 30 anos com o cultivo do tabaco. No entanto, chegou um momento que, igual a muitos, decidiram parar com o cultivo. Os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) por meio dos seus levantamentos e censos agropecuários, nos mostram que se em 2004 tínhamos pelo menos 19 mil hectares com a cultura, hoje não temos mais que 6 mil hectares. Se em 2004 tínhamos pouco mais de 5500 agricultores na atividade, hoje não passa de 1600 famílias.

O que fez essas famílias decidirem parar com o cultivo do tabaco? Vamos elencar alguns fatores que a experiência e a conversa diária com muitos agricultores nos possibilitam compartilhar. Pois bem, na década de 80, inicia na região com o apoio da Epagri (Acaresc na época) o cultivo do arroz irrigado no sistema pré-germinado. Com o uso dessa tecnologia foi possível aumentar significativamente a produtividade, passando de 30-40 sacos por hectare para 150 sacos por hectares. Além disso, a maior parte do trabalho foi possível ser feito com máquinas. Assim, muitas áreas que antes se cultivava o tabaco passaram pelo processo de sistematização para o cultivo do arroz pré-germinado e um grupo significativo de famílias optaram pelo arroz.

Mesmo assim, muitas famílias continuaram com a cultura do tabaco, principalmente em função da baixa necessidade de área. Se com o arroz o serviço era mais fácil em função do uso do maquinário, também exigia área maior para viabilizar economicamente a atividade, o que limitou algumas famílias com tabaco migrarem para o arroz. A título de comparação, na década de 90 uma família se viabilizava com 15 hectares de arroz enquanto com tabaco necessitava apenas 3 hectares.

Mesmo que outras razões tenham contribuído para o declínio da área de tabaco como relatos de intoxicação e baixa autoestima, foi a dificuldade de mão-de-obra que fez boa parte das famílias desistirem da atividade. A dependência de mão-de-obra é extremante alta, concentrada em pequenos períodos e cara, por mais que alguns avanços tecnológicos tem facilitado a vida dos agricultores.

Por isso, para desalento das administrações municipais que estão percebendo ano após ano, redução no movimento econômico agropecuário com as receitas do tabaco, infelizmente acredito que iremos continuar assistindo esse declínio.

Crédito da foto: Ana Cláudia Silveira - Agricultora de Araranguá

Por Reginaldo Ghelere

 

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