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Política

No MDB, disputa interna tem três nomes

Dando sequência aos artigos focados nas pré-candidaturas ao Governo do Estado, com vistas ao pleito eleitoral do ano que vem, hoje a abordagem se referirá ao MDB, sigla que dispõe, por enquanto, de três nomes a sucessão do governador Carlos Moisés da Silva (PSL).

Maior partido de Santa Catarina, em número de filiados, de prefeitos e cadeiras legislativas conquistadas nos últimos pleitos, o MDB governou o Estado, pela última vez, por pouco mais de um semestre, em 2018, quando Raimundo Colombo (PSD) renunciou ao comando do governo para disputar o Senado Federal. Na ocasião, seu vice, Eduardo Moreira (MDB), deu sequência à gestão estadual. Aquele período, no entanto, foi totalmente inodoro para o partido, já que a estrutura montada por Colombo foi mantida. Por conta dos fatos, a última governança desfrutada de verdade pelo partido se deu na segunda gestão de Luiz Henrique da Silveira, entre 2007 e 2010, há mais de uma década. De lá para cá foram duas gestões do PSD, e a atual, do PSL.

Em 2010 e 2014 o partido nem lançou candidato ao governo, ainda que não faltasse vontade para isto. Nas duas ocasiões Luiz Henrique puxou a responsabilidade para si e bancou Raimundo Colombo. Já em 2018 a onda Bolsonaro não permitiu, sequer, que a sigla chegasse ao segundo turno. Lá se vão, então, três eleições de frustrações internas.

Para 2022, no entanto, o MDB parece fortemente imbuído do desejo de disputar, de verdade, o Governo do Estado. Em 2018 a sigla foi para o embate, mas tão fracionada e de uma forma tão sem propósito, que a candidatura de Mauro Mariani (MDB) deu a luz natimorta.

Por conta dos fatos, o MDB já marcou para o próximo dia 15 de agosto suas prévias governamentais. O partido já quer saber, neste ano, quem será seu candidato ao governo no ano que vem. Os nomes na berlinda são o do deputado federal, e presidente estadual da sigla, Celso Maldaner, do senador Dário Berger e do prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli.

Celso Maldaner é quem mais tem trabalhado no MDB

Dos três postulantes ao Governo do Estado pelo MDB, Celso Maldaner é o que mais tem trabalhado para viabilizar sua candidatura. O fato de estar na presidência estadual do partido tem facilitado, em muito, seu projeto. Articulado, Maldaner tem mantido um estreito relacionamento com as bases da sigla em todo o Estado, especialmente com as executivas municipais. Por outro lado, pesa contra si o fato dele ser do Extremo Oeste do Estado, na medida que 70% dos eleitores catarinenses estão na faixa litorânea, o que, teoricamente, seria o ponto forte de Dário Berger. Já a favor de Antídio Lunelli está sua excelente relação com o setor industrial do Norte do Estado, mesma fonte em que Luiz Henrique da Silveira bebeu.

Dário Berger ainda não é considerado “confiável” dentro do MDB 

Egresso do PFL, e com passagens pelo PL e pelo PSDB, Dário Berger ainda não conseguiu obter do MDB a confiança necessária para ser um nome de consenso natural. Ainda que tenha sido prefeito de Florianópolis pela legenda, entre 2009 e 2012, pesa sobre ele a pecha de não ser um dos históricos do partido, a exemplo do que é Celso Maldaner, ou do que são Eduardo Moreira, Casildo Maldaner, Paulo Afonso Vieira, dentre um rosário de outros. A seu favor, no entanto, está justamente o fato de ter sua base eleitoral na Grande Florianópolis, com capilaridade por todo o litoral catarinense, mesorregião onde está localizada a absoluta maioria dos maiores colégios eleitorais do Estado. Sem dúvidas, este é seu grande diferencial, e um diferencial de peso.

Antídio é terceira via, mas com cacife para se diferenciar

Prefeito reeleito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli é aquele tipo de político que não tem medo de falar. Recentemente, por exemplo, mandou seus adversários lavar a boca com detergente. Fortemente identificado com o bolsonarismo, Lunelli é um dos homens mais ricos do país, com uma fortuna calculada em mais de R$ 300 milhões. Empresário do ramo têxtil, ele parece exercer a atividade política por mero gosto pessoal, e, neste sentido, o faz com muita competência, já que sua gestão é uma das mais bem avaliadas do Estado. Antídio, no entanto, tem uma liderança política extremamente regionalizada, diante de um Estado com 500 quilômetros de Sul a Norte, e 800 de Leste a Oeste. De todo modo, nunca é tarde para colocar o pé na estrada.

Berger é mais popular, mas Maldaner tem o partido

Diante deste cenário, é natural que o MDB, por gosto próprio, acabe convergindo para a candidatura de Celso Maldaner, ainda que o mais racional a se fazer seja uma convergência em direção a Dário Berger. Qualquer pesquisa que seja feita hoje mostrará Berger na frente de Maldaner, com Antídio Lunelli amealhando alguns poucos pontos percentuais. No que diz respeito às composições, Antídio tem vários pontos a seu favor, já que está no meio do empresariado, mesmo meio que continua bancando grande parte das campanhas em nível estadual. Pelo menos até hoje, na história do mundo, no que diz respeito à política, quem paga é quem manda, e boa parte dos que pagam gostaria que Antídio fosse o futuro governador do Estado.

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