Essa é a parte do 2 do artigo sobre os subgêneros do terror. Se você quer conhecer os outros é só acessar o link. https://uaaau.com.br/uaaau-show/generos-existe-um-terror-pra-cada-tipo-de-pessoa
MONSTRO

Esse é provavelmente um subgênero mais fácil de se assistir se você não tem muito problema com criaturas feias e inumanas. Esses filmes são marcados por seus personagens não humanos ou humanos que sofreram alguma mutação genética acidental ou não. É comum eles beirarem o trash ou o cômico já que dependendo dos recursos financeiros, as maquiagens ou efeitos visuais não são grande coisa. Ao mesmo tempo, existem algumas produções bem assustadoras e muito bem-feitas. Eu, pessoalmente, adoro histórias de zumbis então meio que praticamente só consegui escolher filmes de zumbis pra indicação.
O Despertar dos Mortos (Dawn of The Dead – 1978)
Os mortos retornam e atacam os vivos. Quatro sobreviventes do ataque se escondem em um shopping abandonado e planejam contra-atacar. No entanto, milhares de mortos-vivos descobrem o esconderijo e iniciam um novo massacre, contaminando alguns sobreviventes que retornam como zumbis e somam-se ao exército de criaturas. Esse clássico de zumbis ainda é provavelmente a melhor produção já feita do gênero e uma obra que acabou moldando a forma com que imaginamos esses monstros, além da forma de produzir os filmes do gênero.
Invasão Zumbi (Train to Busan – 2016)
A Coreia do Sul decreta estado de emergência após um vírus desconhecido tomar conta do país. Algumas pessoas tentam fugir das criaturas e ficam presas em um trem-bala que está a caminho de Busan, a única cidade que não foi afetada pelo vírus. Esse filme sul coreano é incrível e se destaca dentro tantos longas do gênero que saíram nos últimos anos, se for pra você escolher algum dos novos filmes do gênero, então que seja esse, a ação, os personagens e a forma como os zumbis são retratados criam uma tensão digna dos melhores filmes de monstros.
Drácula: O vampiro da Noite (Dracula – 1958)
O estudioso de vampiros Dr. Van Helsing chega à cidade e descobre que Jonathan Harker foi mordido pelo Drácula. Forçado a enfiar uma estaca no peito do amigo, ele sai em busca da sua esposa Lucy e sua família, que agora também estão na mira do Conde. A imagem que temos de vampiros - criatura pálida, de capa preta, gola alta, com presas, atraente aos olhos e até sedutores - hoje em dia, só existe por conta desse clássico baseado na história de Bram Stoker.
SCI-FI

A forma com que o terror aborda a ficção científica é uma só: são histórias fantasiosas sobre um possível futuro, mundos diferentes e/ ou elementos imaginários que são retratados de forma realista, ou seja, mesmo sendo ficção a história é narrada com algum tipo de base científica – real ou não – que possa explicar a existência do que quer que esteja sendo nos contado. Justamente por isso, grande parte dessas histórias se passam fora da terra ou em distopias aqui mesmo. É um tipo de terror que muitas vezes trabalha mais com o susto e a tensão sobre o desconhecido, mas também com o que é visualmente feio e desagradável aos olhos, a minha primeira indicação é a prova real disso.
O Enigma de Outro Mundo (The Thing – 1983)
Uma equipe que está em uma estação científica na Antártida é surpreendida por um homem que estava perseguindo um cachorro de maneira obsessiva, ao investigar mais a respeito disso, essa equipe descobre que há um tipo de alienígena que assimila a forma de criaturas vivas da Terra e que ninguém pode mais confiar em ninguém. Eu confesso que estava doida para chegar nesse gênero e finalmente indicar esse clássico do terror dos anos 80. O filme é bem nojento – BEM nojento - e bem explícito, mas nada parecido com o gore, a forma grotesca que o ser alienígena assume pode ser motivo para afastar as pessoas que não gostam de ver coisas do tipo. O terror no filme é construído através da dúvida, nunca sabemos qual o personagem que a criatura tomou forma então os momentos de tensão podem ser angustiantes, já que além de nós, os personagens também precisam ficar atentos o tempo todo. Se você gosta de terror, esse filme é obrigatório, acredite.
Alien, O Oitavo Passageiro (Alien – 1979)
Uma nave espacial, ao retornar para Terra, recebe estranhos sinais vindos de um asteroide. Enquanto a equipe investiga o local, um dos tripulantes é atacado por um misterioso ser. O que parecia ser um ataque isolado se transforma em um terror constante, pois o tripulante atacado levou para dentro da nave o embrião de um alienígena, que não para de crescer e tem como meta matar toda a tripulação. Outro grande clássico do gênero é também mais um filme obrigatório para quem gosta de terror sci-fi. Um motivo extra para assistir ao longa é que ele foi o primeiro terror a ter uma mulher protagonista na ação da história, até então o papel feminino nesses filmes era bem limitado e muitas vezes elas eram as primeiras a morrer, e aqui, Ripley é quem toma a frente na luta contra a criatura alienígena. Vale assistir a franquia completa.
Um Lugar Silencioso (A Quiet Place – 2018)
Uma família vive numa casa de campo, em absoluto silêncio e se comunicando através de sinais, na tentativa de sobreviver à uma ameaça desconhecida atraída por sons. Um Lugar Silencioso é um dos melhores filmes de ficção científica lançado nos últimos anos, o terror do longa é conduzido de forma bem diferente do comum, o filme possui poucos sons e pouquíssimo diálogo então se você não gosta de jump scares pode assistir à vontade, só não pense que por conta disso o filme não assuste. A construção da tensão e do medo são muito bem conduzidos e tornam a história ainda melhor, é o típico filme pra assistir segurando a respiração e sem fazer qualquer som. Recomendo ver à noite para ter o mínimo de barulho externo possível, faz toda a diferença.
PSICOLÓGICO

Esse é o meu subgênero preferido do terror. Geralmente são filmes com histórias e personagens bem aprofundados e muito bem desenvolvidos. As situações retratadas costumam ser adversas, inesperadas e costumeiramente narradas do ponto de vista do personagem principal. É um gênero que foca na mente humana e retrata a sua vulnerabilidade. Diferente dos outros subgêneros, o terror psicológico não apela para a violência e o sangue, ele nos aterroriza e nos perturba internamente, é o tipo de filme que costuma te deixar pensativo por algum tempo tentando assimilar tudo o que foi assistido e justamente por isso pode te tirar o sono. Eu poderia indicar uns 20 filmes que adoro do gênero então não se limite ao que estiver aqui, tem muita coisa boa do gênero por aí.
O Babadook (The Babadook – 2014)
Amelia, viúva e ainda atormentada pela violenta morte do marido, tenta lidar com o medo de monstros que aterroriza seu único filho, o pequeno rebelde Samuel, e enfrenta dificuldades em amar o garoto. Após encontrar um misterioso livro, o menino, certo de que há um monstro que deseja matá-lo, começa a agir irracionalmente para o desespero de sua mãe. Mas logo Amelia percebe que realmente há uma sinistra presença na casa e ao redor deles. Eu amo tanto esse filme que essa é a segunda vez que falo dele por aqui. O terror psicológico presente nele é bem sútil e a forma com que a diretora Jennifer Kent nos conta a história são fundamentais para que o terror tome conta. Ao mesmo tempo que O Babadook é um terror psicológico ele também é sobrenatural, afinal existe um tipo de entidade na história, mas como o foco da trama é no psicológico, as aparições do Babadook são mínimas e o medo acontece em torno de como os personagens lidam com esse bicho que os aterrorizam e não no quão aterrorizante ele é.
A Bruxa (The Witch – 2016)
Em uma fazenda no século 17, uma histeria religiosa toma conta de uma família que acusa a filha mais velha pelo desaparecimento do seu irmão ainda bebê. Esse foi um filme que teve suas críticas bem divididas entre público e crítica especializada com grande parte do público reclamando que o filme estava muito fora do convencional para o gênero terror. E eu tenho só uma coisa a dizer, é justamente isso que faz de A Bruxa tão bom, ele foge do terror convencional e o faz muito bem. O terror do filme nos mostra um novo lado da bruxaria e o faz abordando temas como as consequências do fanatismo religioso, a repressão intelectual e sexual e a própria liberdade da mulher. É com certeza aquele filme que te deixa pensativo por um bom tempo.
O Bebê de Rosemary (Rosemary’s baby – 1968)
Rosemary e seu marido se mudam para um novo apartamento em Nova Iorque, onde passam a conhecer um casal de idosos que mora logo ao lado. Esse casal possui modos estranhos de agir; eles logo invadem a privacidade de Rosemary, de forma que começa a incomodá-la. Há algo por trás disso tudo e Rosemary, grávida, começa a desconfiar das pessoas, querendo proteger seu futuro filho. Esse era um filme obrigatório nessa lista por ser o maior clássico de terror psicológico até hoje. É um longa que te faz criar incontáveis teorias ao longo de suas 2h de duração. Conforme a gravidez de Rosemary avança, o mesmo acontece com o suspense que é construído com maestria por Roman Polanski
THRILLER

A base do terror thriller é o medo construído aos poucos, o mistério, e o suspense. É um subgênero também muito visto na ficção científica e nos filmes de ação. Eles nos apresentam situações em que os personagens se veem sem saída e em total e completo perigo. É um tipo de filme que pode te deixar ansioso e angustiado para a resolução final.
Psicose (Psycho – 1961)
Após roubar 40 mil dólares para se casar com o namorado, uma mulher foge durante uma tempestade e decide passar a noite em um hotel que encontra pelo caminho. Ela conhece o educado e nervoso proprietário do estabelecimento, Norman Bates, um jovem com um interesse em taxidermia e com uma relação conturbada com sua mãe. O que parece ser uma simples estadia no local se torna uma verdadeira noite de terror. Nem é necessário falar muito sobre psicose e o tamanho de sua influência em todas as décadas após o seu lançamento. É um filme que acaba por se encaixar em mais de um subgênero do terror, como o psicológico por exemplo, mas que é um exemplo perfeito de um terror thriller.
Corra! (Get Out– 2017)
O longa acompanha um final de semana na vida de Chris, um jovem afro-americano que visita a propriedade da familia de sua namorada. A princípio, Chris vê o comportamento exageradamente hospitaleiro da família como uma tentativa desajeitada de lidar com a relação interracial da filha, mas, no decorrer do final de semana, uma série de descobertas perturbadoras o levam a uma verdade que ele nunca poderia imaginar. Aqui temos um filme de terror que levou o Oscar de Melhor Roteiro Original para Jordan Peele, prêmio muito merecido. O terror do filme está ao redor do racismo sofrido por Chris, ele se vê cercado de pessoas estranhas e de outros negros ainda mais estranhos sem entender o que está acontecendo e porquê as pessoas estão agindo dessa forma. Tentar colocar sentido na história é um dos pontos mais interessantes do longa que te faz sentir tão confuso e tão tenso quanto o protagonista.
TRASH

Esse é o subgênero pra quem adora filmes sem noção. Os filmes trash são marcados justamente pelo absurdo e por suas cenas sem sentido e totalmente escrachadas. Como geralmente são filmes de baixo orçamento muitas vezes o terror mescla com a comédia e acaba nos rendendo ótimos – ou péssimos – filmes, onde nem todos eles tinham a intenção de se tornarem engraçados. Um bom exemplo que eu mencionei na parte 1 desse artigo é A Morte do Demônio de 1981, por mais que tenha se tornado um tanto engraçado por conta da maquiagem, o filme não deixa de ser aterrorizante e é um exemplo perfeito de filme trash muito bem feito.
Planeta Terror (Planet Terror – 2007)
O casal de médicos William e Dakota Block é surpreendido no hospital por uma multidão de homens e mulheres cheios de feridas e mutilações, que vagam com um suspeito olhar perdido. Entre eles está Cherry, uma dançarina de boate cuja perna foi arrancada num ataque noturno. Com uma metralhadora no lugar da perna decepada, ela vai liderar, acompanhada por El Wray, um exército de inválidos assassinos. O meu preferido desse subgênero é uma parte de duas do projeto Grindhouse de coprodução de Quentin Tarantino com Robert Rodriguez. O filme é um outro exemplo incrível de trash com diálogos hilários e cenas de terror e violência.
O Ataque dos Vermes Malditos (Tremors – 1990)
Um casal habitante de uma pequena cidade esquecida no deserto luta pela sua sobrevivência e para salvar o mundo do ataque de minhocas gigantes e carnívoras que vivem debaixo do solo. Não adianta, assistir a um filme trash na maioria das vezes acaba sendo um experiência divertida, com algumas exceções é claro, mas os filmes que mais gosto do gênero conciliam muito bem o terror dos personagens com cenas divertidas envolvendo mortes estranhas e animais mais estranhos ainda, como é o caso de O Ataque dos Vermes Malditos.
HAGSPLOITATION

Para finalizar essa coluna que já está um tanto longa, eu gostaria de falar bem brevemente sobre um outro subgênero esquecido e pouco falado do terror, o Hagsploitation. O gênero surgiu no início da década de 60 e ficou conhecido por explorar mulheres, afinal a própria tradução de Hagsploitation é Hags = mulher velha (pejorativamente) Ploitation = exploitation ou seja, exploração. O subgênero tomou conta dos cinemas dos anos 60 após o sucesso absoluto de O Que Terá Acontecido com Baby Jane (What Ever Happend to Baby Jane – 1962). O filme foi protagonizado por duas das maiores estrelas de Hollywood que a alguns anos haviam sido esquecidos por se tornarem velhas demais para protagonizar grandes filmes: Joan Crawford e Bette Davis. A ideia do filme veio da própria Joan que tentava a todo custo voltar ao cinema já que a anos não conseguia trabalho, e acabou se tornando um marco por trazer de volta muitas atrizes esquecidas pela indústria após a “velhice”. Bette Davis era outra que anunciava a busca por emprego em jornais locais por não ter mais como sustentar a família. Esses filmes consistiam em longas protagonizados por mulheres mais velhas que perdiam a sanidade com a idade, mulheres que enlouqueciam por algum fato do passado e passavam a vida se lamentando ou nutrindo sentimentos ruins que as transformariam em criminosas hediondas no futuro. Essa era a premissa de literalmente todos os filmes hagsploitation. O subgênero acabou escancarando o preconceito e o sexismo que atrizes que foram muito premiadas e prestigiadas em sua juventude sofriam após entrarem na meia idade, e ajudou a retomada de carreira por mais alguns anos de várias delas, Bette Davis acabou estrelando vários filmes do gênero, mas sempre deixou bem claro que o fazia por necessidade e não porque gostava. Vale muito assistir ao longa que deu origem ao gênero, e rendeu a Davis sua 10ª indicação ao Oscar. A história por traz de O Que Terá Acontecido a Baby Jane foi trazida às telas pela série Feud, quem sabe eu ainda não fale sobre ela por aqui.