Este artigo contém pequenos spoilers do filme.
Fênix Negra se tornou o 12º e último filme do universo dos X-Men sendo comandados pela Fox, agora, os direitos sobre os filmes pertencem à Disney que já avisou não possuir planos para dar alguma continuação à saga tão cedo. Mas a pergunta que não quer calar é: Fênix Negra concluiu a saga X-Men a altura de seus antecessores? Bem, a resposta varia um pouco dependendo do tipo de opinião que você está procurando. Eu confesso que como fã, estava bem doida para ver minha queridíssima Sansa Stark estrelando um filme todinho dela, e isso já era suficiente para que eu gostasse desse filme antecipadamente, - sim, sou dessas – então, como fã da saga dos X-Men no cinema, eu gostei do filme, achei visualmente lindo e Sansa, ou melhor, Sophie Turner, estava incrível como Fênix Negra. A situação muda um pouco ao analisar o longa como roteirista. Então vamos por partes: o filme traz um elenco incrível, como já era de costume desde seu original lá em 2000, e a história começa muito bem, com um grupo de mutantes indo para o espaço realizar uma missão de salvamento de uma equipe de astronautas. É lá que Jean é atingida por uma explosão solar que é absorvida por seu corpo. O resultado disso é que seus poderes psíquicos – que já eram muito fortes – se amplificam em grande escala, não demora muito para que ela se torne uma enorme ameaça. O porém, é que Jean não é a única ameaça da história, e a princípio, os alienígenas que surgem como vilões parecem bem interessantes por serem tão misteriosos. A primeira cena do filme nos mostra Jean com 8 anos no dia em que sofreu um acidente de carro com seus pais que a tornou órfã, toda a construção da personagem percebendo seus poderes e sentindo a morte dos pais é bem bonita e triste. A estética visual do filme é linda, todas as cenas envolvendo a fênix negra são visualmente incríveis, as cores e os efeitos usados para nos mostrar seus poderes são bonitos demais e me fizeram sentir arrepiada em alguns momentos. Não demora muito para qualquer um ter a certeza de que Jean Grey é uma das mais poderosas personagens de toda a saga. Uma cena em que ela e Magneto estão brigando para controlar um helicóptero chega a ser divertida de assistir, Jean controla a aeronave tão tranquilamente que faz parecer nem ser algo tão difícil, enquanto Magneto quase passa mal de tanta força que precisa fazer para controlar algo tão pesado. O filme possui algumas cenas de lutas muito boas, o primeiro conflito de Jean com os membros de sua equipe mutante mostra exatamente do que ela é capaz. A cena de ação mais para o final do filme também está bem legal e explora muito bem os poderes de que cada personagem. No fim das contas, Fênix Negra é uma ótima diversão e um filme visualmente muito bonito, então se você gosta dessas duas coisas, as chances são grandes de que goste bastante do longa.




Vamos então para a parte que eu gostaria de não precisar escrever, a parte negativa desse artigo. Logo no início do filme somos apresentados à segunda ameaça do longa, uma raça alienígena conhecida como D’Bari, o maior problema aqui é que a história dessa raça não é nem um pouco aprofundada, sabemos apenas que seu planeta foi destruído por uma força cósmica e que eles precisam do poder que Jean absorveu com a explosão para salvar sua raça. A falta de exploração sobre esses personagens faz eles perderem um pouco de força, eles não nos parecem realmente ameaçadores, nós sabemos que eles são perigosos, mas não existe nenhum suspense em torno deles porque seu plano foi descrito logo no início, e como em nenhum momento o filme nos dá a impressão de que exista algo a mais nessa história, nós não realmente tememos que eles possam fazer algo significativo de verdade, isso porque Jean, por mais que não esteja completamente sobre o controle de si mesma, é capaz de acabar com todos eles se quiser, e em nenhum momento do filme, duvidamos disso. A segunda parte desse problema é que apenas um desses alienígenas é realmente um personagem na história, os outros ou são super coadjuvantes ou meros figurantes. Esses pequenos detalhes acabam influenciando muito em como vemos esses personagens. Eu não quero entregar muitos spoilers por aqui então não vou explicar o que acontece nessas cenas, mas temos algumas sequências no filme que não são bem aproveitadas e acabaram sendo um dos principais motivos do porque muitos não gostaram do filme, principalmente aqueles que acompanham as HQs. Simon Kinberg é um diretor e roteirista que ao mesmo tempo que já fez excelentes trabalhos, como X-Men Dias de Um Futuro Esquecido, foi também o responsável pelo fracasso absoluto do Quarteto Fantástico lançado em 2015, e aqui, vemos ele acertar como fez em X-Men e errar como fez em Quarteto. Alguns momentos do longa mostram que tinham potencial de serem cenas tensas e muito poderosas, mas Kinberg falha ao torna-las muito menos do que elas poderiam ser, e o problema aqui não está na direção, está no roteiro, e quando o roteiro falha no aprofundamento, nem uma ótima direção conserta. Um problema que eu precisava muito ressaltar é o tratamento de Tempestade no longa. Quando eu assistia tanto aos desenhos de X-Men quanto aos primeiros filmes da franquia quando era pequena, a minha personagem preferida sempre foi Tempestade, eu achava o poder dela absolutamente incrível e ela sempre me pareceu tão badass que eu queria demais poder ser ela. Infelizmente, suas habilidades não foram bem aproveitadas no longa e ela acaba não sendo muito bem tratada pelo roteiro que a deixa bem de lado e quase irrelevante para a narrativa. É triste dizer que a parte negativa superou a positiva em Fênix Negra, e por mais que eu ainda tenha gostado do filme, é impossível não destacar onde eles erraram e o quanto todos esses problemas poderiam ter sido resolvidos e tornado o filme tão grandioso quanto ele merecia ter sido. Com isso, Fênix Negra acaba concluindo a franquia dos X-Men abaixo do padrão da maior parte de seus filmes, o que não realmente muda o legado construído até agora, só deixa a gente na vontade por mais filmes no mesmo padrão de X-Men Primeira Classe e Logan, longas que nos comprovaram o quanto esse universo tem para oferecer e o quanto suas histórias podem ser adaptadas de forma absolutamente incrível.