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Capitã Marvel e o legado das super-heroínas

Eu prometo que esse artigo vai ter muita coisa sobre o novo filme da Marvel, Capitã Marvel, mas antes de iniciar meus comentários sobre o filme eu gostaria muito de entrar num assunto que tem tudo a ver com a heroína, a representação da mulher em filmes de super-heróis.

Quando Mulher Maravilha foi lançado nos cinemas em 2017 haviam 19 filmes de super-heróis desde que os universos expansivos da DC Comics e Marvel iniciaram lá em 2008, todos eles protagonizados por homens. A verdade é que alcançamos um progresso real quando um longa centrado em uma super-heroína pôde ser lançado e tratado como qualquer outro filme super-herói. Quando muitas mulheres assistiram Mulher Maravilha se sentiram emocionadas em certos momentos do filme – inclusive eu mesma – justamente pela sensação que tivemos ao assistir ao longa, por ter finalmente a chance de ver uma mulher dispor de tanto poder e respeito em um filme tão grandioso quanto Mulher Maravilha, como se o fato de o filme ser tão gigantesco, nos permitisse visualizar e sentir por um momento qual seria a sensação de se ver representada em uma personagem tão forte – em todos os sentidos da palavra - e principalmente, de ver a história do cinema sendo mudada de forma definitiva, e foi incrível. E agora, com o lançamento de mais um filme protagonizado por uma super-heroína não se tem mais como negar que as estatísticas em números desses filmes é sucesso absoluto. Podemos afirmar que colocar mulheres em posições que lhes permitem mostrar sua força e de que somos capazes de qualquer coisa é importante DEMAIS!

Quando falamos da representação da mulher no cinema, num contexto geral mesmo, existe um outro tópico importante que precisa ser ressaltado: o Teste de Bechdel. O teste foi criado a cerca de 30 anos atrás e acabou se tornando um padrão de críticos de cinema para analisar se um filme soube retratar uma personagem feminina. O teste é simples e composto por 3 colocações:

O filme precisa ter ao menos duas personagens mulheres

Essas personagens precisam conversar entre elas durante o filme

Essa conversa precisa ser sobre qualquer coisa que não seja um homem

Parece fácil, certo? Pois não é. Com uma rápida pesquisa no google você pode se surpreender com a quantidade de filmes muito conhecidos que não cumprem com nenhuma dessas especificações e quantos deles passam por muito, muito pouco. O problema minha gente, tá muito mais embaixo que filmes de super-heróis.

Vamos então ao mais novo lançamento de super-heróis nos cinemas. A expectativa da Marvel para Capitã Marvel sempre foi alta, e em menos de uma semana em cartaz o filme já havia arrecadado mundialmente US0 milhões, se tornando a 6ª maior bilheteria da história, a maior bilheteria de estreia de um filme protagonizado por uma mulher e a segunda maior estreia da Marvel, perdendo apenas para Vingadores: Guerra Infinita. Isso tudo vem com surpresa para um grupo de pessoas que tentou encontrar formas de boicotar o filme antes de seu lançamento por conta de comentários feitos por Brie Larson, a Capitã Marvel, que falou em diversas entrevistas que o filme tinha uma grande importância para a luta das mulheres por direitos iguais, e por ser o primeiro longa protagonizado por uma mulher da Marvel ressaltando muito o quanto isso significava. Aparentemente alguns homens se sentiram atacados por Larson e resolveram que acabariam com o filme para provar o ponto deles. É evidente que esse boicote não deu certo e as causas que Brie falou que o filme apoiava, foram grandes responsáveis pelo rendimento estrondoso da bilheteria do longa, indo contra a expectativa dessas pessoas que já apontavam o filme como primeiro fracasso da Marvel. Gente, é meio obvio que o fato desse ser um filme gigante e protagonizado por uma mulher, que ele vai ser a favor de causas feministas, afinal o feminismo luta pela igualdade social, política e econômica entre os sexos e quando se retrata uma super-heroína como uma igual a qualquer outro super-herói essa questão é automaticamente levantada. Teria feito mais sentido se eles quisesse boicotar o filme desde que ele foi anunciado, afinal, só pelo anúncio ter acontecido já era uma amostra de que as causas feministas estavam dando resultado, e isso se consolidou ainda mais no momento em que a Marvel contratou Brie Larson como protagonista, uma vez que a atriz é uma ativista de direitos iguais.

Sobre a trama. Vers, como Carol Danvers passa a ser chamada após ter perdido toda a memória de sua vida na terra, é uma soldada importante em uma guerra alienígena e acredita pertencer á raça Kree, planeta em que vive. Ela possui poderes enormes, mas ouve de seu instrutor que ainda não possui o necessário para compreendê-los e usá-los de forma correta. Ela sabe que possui um passado, mas não faz ideia do que era nem de onde veio. Quando consegue escapar de uma emboscada armada pelos inimigos dos Kree, os Skrull, ela acaba caindo nos Estados Unidos em 1995 e aos poucos começa a descobrir quem realmente é.

Depois do sucesso absoluto de Pantera Negra, a Marvel fez questão de levantar questões feministas em seu primeiro longa com uma super-heroína no comando. Eles de fato foram mais tímidos na abordagem do que foram ao falar sobre racismo em Pantera Negra, mas não decepcionaram. Ao retratar situações comuns do dia-a-dia de forma um tanto cômica, mas realistas, fazendo graça do quão ultrapassados são os comentários machistas, especialmente se você coloca em perspectiva o fato de que ‘Vers’ não possui lembrança alguma da terra e era um dos principais e mais poderosos membros de um exército de elite alienígena, ela não vai se deixar diminuir por um simples homem humano. Uma questão importante para a Marvel, era mostrar do que a personagem é capaz, e o faz muito bem. A determinação de Carol Danvers para fazer o que considera certo, a consolida da mesma forma que vemos nos outros heróis da Marvel, e até o final do longa descobrimos o quão forte ela é capaz de se tornar, um fator bem relevante já que a personagem deve ter uma importância e tanto na luta contra Thanos no próximo Vingadores: Ultimato.

Com Capitã Marvel, ganhamos a oportunidade de ver o Agente Fury (Samuel L. Jackson), personagem já bem famoso do universo Marvel, ainda com os dois olhos! Nick Fury (ou apenas ‘Fury’ como ele fez questão de apontar) sem seu tão conhecido tapa olho foi algo que precisou de algum tempo de filme para que eu conseguisse me adaptar. A relação dos dois personagens nos faz criar maior simpatia por Danvers. Quando Fury aparece, o clima do filme sofre uma mudança e se torna mais leve e divertido. Algo que melhora ainda mais quando entram em cena a melhor amiga do passado de Danvers, Maria Rabeau (Lashana Lynch) e sua filha Monica Rabeau (Akira Akbar). O entrosamento dos personagens secundários e suas personalidades são sem dúvidas um dos pontos mais altos do longa. O filme não tem uma narrativa como a maioria dos filmes Marvel, ele foge um pouco de alguns clichês e estereótipos e visa mostrar uma personagem feminina que é dona de sua vida e é capaz de resolver qualquer problema que lhe surge. Ela não precisa de um par romântico, precisa da melhor amiga. A personagem sofre por não conseguir saber quem é e entra em conflito consigo mesma por isso. A amizade com Maria acaba sendo um fator importante nessas questões, porque mesmo que Danvers não se lembre do que viveu com a amiga, o carinho e o amor transmitido por Maria à ela acaba destacando a importância da sororidade, algo que ainda não foi muito retratado em grandes filmes e que aqui, possui uma importância enorme pro desenrolar da história. Minha observação final vai para Monica Rabeau, que no filme, interpreta todas as meninas da nova geração que acompanham, ou ainda acompanharão as histórias e o legado das super-heroínas, que provam que elas podem ser qualquer coisa que elas queiram, que provam que elas podem ser SUPER.

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