Quem nunca passou tanto tempo na netflix tentando decidir o que assistir que teria dado tempo pra ver um filme inteiro, mais um (ou dois) episódios daquela série que a gente ama e ainda de fazer uma pipoca, por favor se manifeste, eu imploro pra saber teu segredo! Todo mês eu aguardo ansiosamente pelo anúncio do que está para entrar no catálogo de streaming. Só pra vocês entenderem melhor, eu sou aquela pessoa que meus amigos nunca gostaram de ir junto pra locadora porque eu já tinha visto tudo o que eles queriam assistir, imagina então o tamanho desse problema na era Netflix! Para colocar em perspecitva, é o equivalente para quando a gente ia pra locadora perguntar quando chegariam os próximos lançamentos porque tudo o que estava lá, você já havia alugado, e eles diziam algo do tipo: “Acho que semana que vem chegam uns 3 ou 4 lançamentos, mas por causa do feriado talvez só na semana seguinte”. No que eu respondia: “Mas meu querido, se esses filmes não chegarem, pra quê eu vou querer esse feriado aí?... Mas por precaução, vocês fazem reserva?” Infelizmente a resposta pra essa segunda pergunta era sempre não, o que tornava a minha vida um pouco mais difícil.
A Netlfix é uma versão moderna das locadoras e seu funcionamento não é tão diferente assim, sua maior desvantagem é o fato de filmes - obviamente os não originais - terem prazo de válidade dentro do streaming, o que significa que se você se distrair, pode acabar perdendo um filme que estava há meses e meses e meses na sua lista e você sempre deixava pra depois. Fica de olho aí, porque uma vez eu deixei um filme na minha lista por quase um ano e quando eu quis assistir ele já não estava mais lá.Ultrajante!
Agora vamos para o objetivo real dessa coluna. É o seguinte, se você já leu comentários em posts das páginas da netflix pode ter percebido que existe uma constante entre eles: Pessoas pedindo por mais filmes – e séries - porque ‘a Netflix não tem mais quase nada de bom’ ou falando coisas como: ‘E a continuação desse filme que passou no cinema no mês passado? Tá na hora já queridinha!’ Então, de duas uma, ou eles assistiram ao catálogo INTEIRO da netlfix e de fato esgotaram o estoque, o que significa que terão que esperar por conteúdo novo, ou, não sabem procurar por filmes no streaming. Se você se encaixa nessa segunda opção eu tenho uma coisa incrível pra te contar, tem muito filme bom esperando pra você assisti-lo, e eu vou te provar isso. E mesmo se você acredita que existam sim filmes bons na Netflix, e só não consegue descobrir quais são, eu te recomendo muito a dar uma chance pra essa listinha aqui também. Mas antes de tudo, acho importante ressaltar uma coisa, essa lista é inteiramente baseada nos filmes que estão na Netflix que eu já assisti e que gosto muito. Além desses, existem muitos outros ótimos no serviço de streaming (inclusive que eu ainda não assisti), mas, optei por falar de alguns que não são tão conhecidos assim e que agradaram muito meu gosto pessoal (que admito, é bem abrangente). Agora podemos seguir em frente, vou abrir a nossa lista com um dos últimos lançamentos originais Netflix que eu amei muito:
Dumplin’

Na trama, acompanhamos a história de Willowdean (Danielle Macdonald), uma garota gorda que vive em uma cidadezinha do Texas e é muuuito fã da cantora Dolly Parton. Embora Will (como é chamada pelos amigos) não se importe muito com o seu peso, sua aparência afeta profundamente o relacionamento que ela tem com a mãe, Rosie (ninguém menos que Jennifer Aniston), cuja vida inteira girou em torno de um concurso de miss que ela venceu lá em 1991. A vida de Will muda quando, por um impulso, ela resolve se inscrever na competição de beleza da cidade e recebe o apoio de algumas colegas que também se inscrevem no concurso com um único intuíto em mente: Acabar com os padrões de beleza impostos pela sociedade.
O filme vem pra mostrar a beleza de todos os corpos e nos ajudar a aceitar quem somos e nos amar por isso. Ao ter Dolly Parton como musa inspiradora, a trama ressalta uma famosa frase da cantora que diz: ‘Descubra quem você é e seja de propósito’. Recomendadíssimo para quem gosta de uma boa comédia leve, muito divertida e com mulheres incríveis.
https://www.youtube.com/watch?v=yMuusls-26U
Dois Caras Legais (The Nice Guys)

Minha segunda indicação é Dois Caras Legais, eu sei que esse título mais parece com o de uma daquelas comédias besteiróis que eram bem comuns principalmente nos anos 90 e 2000, mas garanto que não é bem assim. O roteiro é de Shane Black, que se tornou renomado por Máquina Mortífera, responsável pela revolução dos filmes de ação no fm dos anos 80. Dois Caras Legais se passa na Los Angeles dos anos 70, quando o assassinato de uma atriz pornô desencadeia uma série de acontecimentos misteriosos, como o desaparecimendo da filha de uma funcionária do Departamento de Justiça do Estados Unidos. Jackson Healy (Russel Crowe), um detetive particular violento e ex-alcoólatra é contratado para investigar o caso. O trabalho revela-se mais complicado do que o esperado e ele decide dividir a investigação com o atrapalhado Holland March (Ryan Gosling).
Vale destacar aqui a atuação incrível de Gosling, ele é o grande responsável pelos momentos de risadas do filme fazendo um detetive e pai totalmente desastrado e cheio de maneirismos, algo que acaba estranhamente combinando com toda a truculência do personagem de Crowe.
https://www.youtube.com/watch?v=a8WJhBpsfjY
Matadores de Velhinhas (Lady Killers)

Esse terceiro filme já é bem antigo e se você não assistiu, tem uma grande chance de ao menos ter ouvido falar dele, mas, como descobri a pouco tempo que ele estava na Netflix, achei que merecia ao menos uma menção honrrosa aqui. O filme dos irmãos Ethan Coen e Joel Coen (Onde os Fracos Não Tem Vez) é também, o primeiro remake da dupla. A trama se inicia quando Goldthwait Higginson Dorr ou Professor G.H. Dorr (interpretado por Tom Hanks) aluga um quarto na casa da Sra Munson (Irma P. Hall) com a intenção de usar a casa da senhora para assaltar um cassino visinho. A Sra Munson é uma mulher típica da região americana onde o filme se passa e muito religiosa, o que faz com que Dorr precise inventar que possui uma banda ao pedir para que possam usar o porão da senhora para supostos ensaios. O que querem na verdade é cavar um túnel do porão até o cofre do cassino e levar embora uma grandiosa quantia em dinheiro. O filme tem o típico humor dos irmãos Coen, responsáveis por comédias de erros como Fargo. Em Matadores de Velhinhas eles mantêm seu estilo humorístico e acertam mais uma vez ao criar um filme muito divertido e repleto de ótimos personagens.
https://www.youtube.com/watch?v=jgd0Lg5ocdg
Farol das Orcas (El Faro de las Orcas)

Esse é um filme que a gente as vezes passa direto no catálogo e é o primeiro Original Netflix da lista, Farol das Orcas é um filme Argentino baseado em uma tocante história real, e tem como ponto de partida o autismo, que é tratado de forma muito sensível. A história tem Beto como protagonista, ele é um homem solitário que trabalha como guarda florestal num parque nacional em um pequeno vilarejo na Patagônia. Um dia, Lola, uma espanhola, aparece à sua porta com seu filho autista de 11 anos. Depois de ter visto Beto em um documentário na tv, desesperada, ela levou o filho para a Argentina em busca de ajuda, após o menino ter demonstrado uma reação como nunca havia antes ao assistir Beto com as orcas. O filme toca profundamente por como nos conta a história de uma mãe que atravessa um oceano mesmo sem qualquer garantia de que conseguiria ajudar seu filho, a menor possibilidade de ajuda lhe foi suficiente para arriscar tudo o que tinha na viagem. Se você gosta de um drama leve e apaixonante, Farol das Orcas é um linda opção.
https://www.youtube.com/watch?v=uLPgwsI0WKA
Filhos da Esperança (Children of Men)

Gente eu amo esse filme! É mais um filme britânico com a direção do brilhante Alfonso Cuarón. E eu já adianto, ele tem umas das melhores cenas da história do cinema com uma eletrizante fuga/ataque gravada toda dentro de um carro! É absurdo. Se você assiste a série The Handmaid’s Tale (Nível alto de recomendação aqui) vai se sentir familiarizado com o filme. O ano é 2027, a infertilidade é uma ameaça real para a civilazação, o motivo é desconhecido, mas nenhuma mulher consegue engravidar e o último ser humano a nascer acaba de morrer aos 18 anos. Theodore Faron (Clive Owen) é um ex-ativista desiludido que se tornou burocrata e vive em uma Londres completamente arrasada pela violência e por seitas nacionalistas em guerra. Quando Julian (Julianne Moore), sua ex-esposa o procura, Theodore é apresentado a uma jovem que de forma misteriosa está grávida. Eles precisam protegê-la a qualquer custo, pois acreditam que o bebê prestes a nascer seja a salvação da humanidade. Esse é um filme que te faz sentir muitas coisas, nervosismo, emoção, tristeza, raiva, esperança, desilusão e por aí vai.
https://www.youtube.com/watch?v=9jisy5XHAC0
Já Estou com Saudades (Miss you Already)

Outro Original Netflix, esse é daqueles pra assistir com uma caixinha de lenços do lado, uma dica pra quem é mais chorão que nem eu. A história é a seguinte: Jess (Drew Barrymore) e Milly (Toni Collette) são melhores amigas de infância e mesmo cada uma tendo sua família, são super grudadas uma na outra. Após se submeter a um tratamento, Jess enfim consegue engravidar, mas a notícia boa acaba vindo junto de outra nada legal, Milly descobre um câncer de mama e precisa passar por quimioterapia, de repente as duas vêem suas vidas viradas de ponta cabeças. O longa é dirigido por Catherine Hardwicke (aquela mesma de Crepúsculo). Lendo assim, o filme até parece aquela mesma fórmula que conhecemos muito bem, mas eu garanto que ele vai além disso. Toni Collette está excelente e em muitos momentos carrega o filme todo nas costas. O que diferencia muito, Já Estou com Saudades, dos vários outros filmes do gênero, são as entrelinhas dos personagens, a honestidade com que são tratados e como eles são completamente identificáveis à vida real.
https://www.youtube.com/watch?v=5hhWKe-hqtU
Grandes Olhos (Big Eyes)

Esse é um filme que eu tenho um carinho bem grande. A trama conta história real de Margaret Keane (Amy Adams) e se passa no final dos anos 50, nos mostrando o pintor Walter Keane, que alcança um enorme sucesso revolucionando a comercialização da arte popular com suas pinturas enigmáticas de crianças abandonadas com grandes olhos. O que torna a história tão cativante é a verdade que vem à tona anos após sua ascensão: Os trabalhos de Walter foram na verdade criados por sua esposa, Margaret, e ele não passava de um aproveitador. A trama impressiona ao nos mostrar o que Margaret passou enquanto escondia o fato de que era a verdadeira artista por trás do sucesso internacional do marido, contando sua tragetória e como sua história se tornou pública após anos de abuso sofridos dentro de casa. Dirigido por Tim Burton, um diretor que eu gosto demais e que aqui foge um tanto de seu estilo famoso, ao mesmo tempo que o homenageia. Burton sempre foi um grande colecionador das obras de Keane e podemos notar o quanto o diretor já se influenciou pelas pinturas em alguns de filmes, como O Estranho Mundo de Jack (também na Netflix, e por sinal, fica a dica), Os Fantasmas se Divertem e por aí vai. Se você gosta de histórias em que as mulheres dão a volta por cima de um marido opressor, esse é um filme obrigatório.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=Cu7_m6-enCM
Eu não sou um homem fácil (Je ne suis pas un Homme Facile)

Essa é uma produção Francesa Original Netlfix,. Eu Não Sou um Homem Fácil foi escrito e dirigido por Éléonore Pourriat e a trama gira em torno de um homem extremamente machista que após bater a cabeça num pequeno acidente, acorda num mundo invertido onde as mulheres são o sexo dominante. O que acontece com ele nessa outra realidade é exatamente o esperado, ele vivencia situações de assédio, relacionamentos abusivos, pressão pela estética e ainda vê que muitos dos homens que conhece, passam exatamente pela mesma situação. O filme nos mostra pela vivência de um homem o que as mulheres precisam lidar quase que no dia-a-dia de suas vidas no mundo real e busca trazer uma maior conscientização das duas partes para o machismo intríseco da sociedade, tudo isso em um ótimo tom de comédia para uma comédia romantica fora dos padrões.
https://www.youtube.com/watch?v=Z31q8m_hxJY
ARQ

Outro Original Netflix, ARQ foi o primeiro trabalho de direção de Tony Elliott, um dos roteiristas da série Orphan Black. A trama do filme gira em torno de um cientista, Renton (Robbie Amell) e sua esposa, Hannah (Rachel Taylor). Ambientado em um futuro próximo pós-apocaliptico climático-nuclear, Renton e Hannah se reencontram depois de algum tempo e se descobrem presos em um loop temporal causado por um gerador de energia em que ele está trabalhando conhecido como ARQ. O gerador atrai a atenção de grupos perigosos por ser capaz de fornecer energia ilimitada e ainda acabar com as guerras que tomaram conta do mundo, mas faz tudo isso, por um preço. Esse não é aquele filme de ficção científica grandioso e muito complexo, mas ele nos prende por sua história misteriosa e justamente por isso, ganhou seu lugar nessa lista.
https://www.youtube.com/watch?v=EcHUBH47IQY
O Babadook (The Babadook)

Se você gosta muito de terror psicológico é bem provável que já tenha assistido O Babadook, e essa pode ser sua chance de vê-lo mais uma vez, porque filme que trata do psicológico e é muito bom, merece ser revisto várias vezes. Por mais famoso que esse filme tenha se tornado, resolvi colocá-lo nessa lista. Já vi muitas pessoas falando mal dele por não tê-lo entendido de verdade, mas eu garanto, esse é um dos melhores longas de terror psicológico dos últimos vários anos. Para você que nunca o assistiu, o filme conta a história de Amelia (Essie Davis), ela vive com o filho pequeno que nasceu no mesmo dia em que seu pai morreu, fato que até o momento, Amelia não conseguiu superar. Samuel (Noah Wiseman), é um menino rebelde e incompreendido pela mãe, que não consegue lhe dar a devida atenção pela dificuldade que tem de realmente amá-lo. As coisas mudam quando Samuel encontra um livro chamado ‘Senhor Babadook’ e pede para a mãe lê-lo. O livro, repleto de desenhos preto e branco, mostra um monstro que pede para entrar na casa. Logo, Samuel diz que o tal monstro já o assombra e é também a causa de sua insônia. A partir daí, tudo fica cada vez mais sinistro. Esse é o tipo de filme que pode te deixar muito pensativo quando acaba, seja tentando entender o que aconteceu, ou tentando pegar todos os detalhes do que você assistiu, é o típico filme que você quer que todo mundo assista para poder comentar depois. Um destaque final vai à direção maravilhosa do filme, Jennifer Kent soube usar do terror de forma absurdamente incrível em sua condução do longa, coisa que eu já sentia falta em filmes do gênero há muito tempo.
https://www.youtube.com/watch?v=ibHErzMzp2g
Hush - A Morte Ouve (Hush)

Por último, temos Hush – A Morte Ouve, outro filme um tanto conhecido mas que merece seu espaço aqui. Escrito e Dirigido pelo excelente Mike Flanagan (The Hauting of The Hill House), a trama se passa em torno de Maddie (Kate Siegel), uma escritora surda e muda que mora em uma casa isolada. Quando um assassino surge, ela precisa conseguir sobreviver dentro de casa enquanto ele faz de tudo para entrar. Ele desliga sua energia e a impossibilita de ligar para alguém por socorro. Maddie deve descobrir como sobreviver estando completamente isolada, sem comunicação e sem fazer muito barulho, já que essa é sua maior desvantagem com relação ao assassino. Num modo geral, a história parece um tanto batida, afinal podemos fazer uma lista bem grande só de filmes com esse mesmo enredo lançados nos últimos anos. Mas Hush, possui alguns diferenciais que fazem valer a pena assisti-lo. Ao começar pela profissão de Maddie, ela pensa como uma escritora mesmo quando precisa tomar as decisões para se salvar e tentar escapar do jogo de gato e rato em que se vê presa e, ao contrário dos outros filmes do gênero, o suspense muitas vezes é construído pelo silêncio, nos colocando na pele da personagem.
https://www.youtube.com/watch?v=d3vVr1JU1RQ
Por hoje foi isso, essa aqui é só uma lista bem pequena de tudo o que tem de bom pra assistir na Netflix, quem sabe mais pra frente eu atualize ela. E não, essa não é uma coluna patrocinada pelo streaming, se foi isso o que você pensou, é só uma propaganda gratuita porque eu achei que eles – e vocês - mereciam.