Medidas foram discutidas pela Rede Catarinense de Internacionalização, que reúne Governo do Estado e entidades do setor produtivo para ampliar exportações e preparar SC para o acordo Mercosul–União Europeia
Florianópolis, 01.10.2026 – Governo do Estado e entidades do setor produtivo catarinense vão atuar de forma conjunta em missões internacionais e na divulgação de ações de comércio exterior. A criação de uma agenda comum de missões e de um protocolo de comunicação são as primeiras deliberações da Rede Catarinense de Internacionalização, discutidas nesta quinta-feira (1º), em reunião no Sebrae/SC, em Florianópolis.
A agenda prevê que, a cada ano, as entidades elejam pelo menos quatro países, eventos ou feiras internacionais para participação organizada de Santa Catarina, com possível participação de todas as integrantes da Rede. "Se formos de forma orquestrada, chegamos com muita força", afirmou o secretário adjunto da Secretaria Executiva de Articulação Internacional (SAI), Emerson Pereira. Já o protocolo de comunicação vai garantir que todas as entidades divulguem os eventos de internacionalização promovidos por qualquer uma delas.
As propostas foram apresentadas pela presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, Maitê Bustamante. "O ponto mais importante é conseguir promover Santa Catarina no mundo com uma visão integrada das ações voltadas ao comércio internacional", destacou.
Nova ordem mundial e pequenas empresas
O secretário executivo de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, reforçou que a Rede é uma iniciativa do Governo do Estado com caráter multifacetado, que envolve comércio exterior, produção, desenvolvimento socioeconômico e capital humano. "A internacionalização é a chave do aumento de renda e da qualidade de vida das nações, regiões e cidades. Santa Catarina já é um estado bem internacionalizado, mas poderá ser muito mais com uma ação coordenada de todos os atores catarinenses", disse.
Bornhausen avaliou que o mundo vive uma transição no sistema de trocas internacionais e que isso abre uma nova janela para o estado. "O Brasil perdeu a janela da globalização, mas Santa Catarina andou um pouco. Na nova ordem, teremos condições de participar com muita força", afirmou. Ele também destacou o peso do acordo com a União Europeia: "De todos os acordos que temos hoje, esse é o maior. E, de todos os mercados, esse é o maior."
O secretário defendeu ainda que as grandes empresas catarinenses, já presentes nos principais mercados, abram caminho para as menores. "Atrás da galinha vêm os pintinhos. Para puxarmos as pequenas empresas, precisamos que as grandes estejam plantadas nos mercados de interesse de Santa Catarina", disse, citando Alemanha, Itália e Suíça como exemplos de países em que pequenas e médias empresas são a principal força exportadora.
Base jurídica para internacionalização
A OAB/SC passou a integrar a Rede nesta reunião, representada pelo advogado Salmi Paladini Neto, secretário-executivo da Comissão do Acordo União Europeia–Mercosul da seccional. "Muitas empresas são barradas no cenário internacional porque não conseguem estruturar sua base jurídica e a análise de contratos internacionais. Vamos trazer advogados experientes em Direito Internacional para contribuir com a Rede", afirmou.
Coordenado pela Secretaria Executiva de Articulação Internacional (SAI), o encontro foi o terceiro da Rede e reuniu a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), a Secretaria de Estado da Fazenda, a InvestSC, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL/SC), a Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais de Santa Catarina (FAMPESC), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Sebrae/SC), a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Santa Catarina (OAB/SC). Anunciada em agosto, a Rede busca construir uma estratégia única de internacionalização para o estado.