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Saúde

Setembro Amarelo: psicólogo destaca importância da escuta e da busca por ajuda

Falar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio é uma necessidade que vai além do mês de setembro. Durante o Setembro Amarelo, o tema ganha ainda mais destaque, principalmente para reforçar a importância da escuta, do acolhimento e da busca por ajuda profissional.

Segundo o psicólogo clínico Felipe Konflanz, fatores comportamentais, genéticos, ambientais e culturais podem influenciar a forma como as pessoas expressam suas vulnerabilidades. Ele destaca que alguns padrões culturais, principalmente relacionados ao masculino, ainda fazem com que sentimentos sejam mantidos em silêncio.

“Principalmente a cultura do homem, o masculino que vem à tona, faz essas vulnerabilidades ficarem mais guardadas para si mesmo, como se representasse uma falha, uma fraqueza”, afirmou.

Apesar do aumento na procura por apoio psicológico e psiquiátrico nos últimos anos, ainda existe resistência em buscar ajuda. Ele ressalta que uma experiência negativa com um profissional não deve impedir novas tentativas.

“Se a gente fala pra alguém e essa pessoa não foi muito receptiva, não soube manejar, ou a gente vai até um profissional e não fechou um vínculo muito legal com ele, não para por aí. A gente precisa explorar, pra que a gente encontre alguém que possa realmente nos ajudar”, destacou.

Mudanças de comportamento podem ser sinais de alerta

Entre os sinais que podem passar despercebidos estão mudanças no comportamento e o abandono de atividades que anteriormente faziam parte da rotina e eram valorizadas pela pessoa.

Em situações de depressão e ansiedade associada à depressão, podem ocorrer redução de energia e de prazer nas atividades. A pessoa também pode recorrer a comportamentos de compensação, como o consumo de substâncias, o uso excessivo de determinadas atividades e o isolamento.

“Ela vai deixar de fazer coisas que ela fazia antes, que provavelmente valorizavam a vida dela, mas dependiam dela ter energia, sentir prazer naquilo”, explicou.

O psicólogo também chama atenção para situações em que alguém manifesta que não está bem. Segundo ele, essa fala já deve ser considerada um sinal para abrir espaço para a escuta.

“Se a pessoa falou que não está legal, já basta para que tu possa abrir esse espaço”, afirmou.

Para oferecer uma escuta empática e sem julgamentos, é importante que, inicialmente, a pessoa seja ouvida e que sejam feitas perguntas abertas, sem transformar a conversa em uma investigação.

“Muitas vezes a gente tenta direcionar pra uma melhora, mas às vezes aquela pessoa só quer ser ouvida. No primeiro momento, a pessoa quer ser ouvida, pra que quando alguma ajuda vem ela sentir que a pessoa entendeu o que ela está sentindo”, destacou.

Busca por ajuda profissional

Os Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, também são apontados pelo psicólogo como espaços públicos de atendimento em saúde mental. O funcionamento pode variar de acordo com cada unidade e município.

A importância do acompanhamento profissional também é destacada, com opções de atendimento presencial e on-line. Segundo ele, em situações de sofrimento, o acompanhamento psicológico pode ser realizado de forma semanal por alguns meses, com a frequência posteriormente avaliada pelo profissional.

A atuação de psicólogos e médicos também pode ser diferente no acompanhamento. O psicólogo realiza o acompanhamento terapêutico, enquanto o médico pode atuar na avaliação e prescrição de medicamentos quando necessário.

“Para os casos de maior intensidade, maior sofrimento, a medicação e o acompanhamento psicológico é a melhor combinação, pensando nas evidências científicas, para boa parte dos casos”, afirmou.

O profissional reforça ainda a importância do vínculo terapêutico e orienta que, caso a pessoa não se identifique com o primeiro psicólogo procurado, continue buscando atendimento.

“Se não criar o vínculo com aquele profissional, procura um segundo e, se precisar, até um terceiro. É bem natural. Às vezes isso não vai acontecer entre tu e aquela pessoa e não significa que a psicologia não pode te ajudar”, destacou.

A mensagem reforçada pelo psicólogo é que o cuidado com a saúde mental não deve ficar restrito ao Setembro Amarelo. A atenção aos sinais de sofrimento, a escuta sem julgamentos e a busca por ajuda devem fazer parte do cuidado ao longo de todo o ano.




Por Suelen Lopes

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