Em uma eleição pluralizada como a que está posta em Santa Catarina, fazer apostas em relação a quem poderá ganhar a disputa pelo Governo do Estado é algo totalmente desproposital. Todavia, é possível se analisar o que está posto, do mesmo modo que se pode olhar para o céu e se supor que o tempo se manterá firme ou que irá chover. Não quer dizer que a previsão irá se confirmar, mas, diante do que está posto, o advento da suposição é plausível.
Com o atual cenário, é possível supor, por exemplo, que o governador Carlos Moisés da Silva (Rep) estará no segundo turno da eleição estadual. Trata-se de uma suposição muito óbvia, afinal de contas ele tem o governo na mão, tem o MDB como aliado oficial e arrebanhou uma legião de prefeitos para seu projeto, incluindo, dentre estes, dezenas de filiados ao Progressistas e ao PSDB, partidos que oficialmente são seus adversários.
Este cenário plural, que conta com dez candidatos ao governo, também praticamente elimina as chances de qualquer candidato vencer no primeiro turno, o que nos remete a uma outra incógnita: afinal de contas, quem iria com Carlos Moisés para a segunda etapa da eleição. Neste momento, três candidatos tem esta chance: Esperidião Amin (PP), Jorginho Mello (PL) e Gean Loureiro (União). Observe que a eleição não se dará neste momento, mas apenas em 2 de Outubro. Todavia, neste momento, são estes os que têm chances de ir para o segundo turno com o atual governador. Dentre estes três candidatos, terá mais chances aquele que estiver mais próximo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Aquele que, verdadeiramente, assimilar a narrativa do bolsonarismo, tornando-se o porta voz desta.
Em princípio, esta primazia cabe a Jorginho Mello, que, afinal de contas, é filiado ao mesmo partido do presidente e seu defensor inconteste. Jorginho, no entanto, tem dois problemas: o primeiro é o fato de contar com a concorrência de Esperidião Amin, que não se fez de rogado e abraçou de corpo e alma o projeto bolsonarista. O segundo é a falta de capilaridade partidária. Basicamente, Jorginho está sendo o vendedor de si próprio, o que é péssimo para qualquer candidato. Ele e Amin rivalizam, mas Amin leva vantagem por ter uma estrutura partidária mais capilarizada, apesar do Progressistas, e do PSDB, que é seu vice, estarem rachados. Jorginho, por sua vez, precisa ampliar parcerias, que rompam a barreira do PL, de modo a ter mais base defendendo seu projeto eleitoral.
Gean Loureiro entra nesta briga através de seus procuradores políticos, a exemplo do prefeito de Chapecó, João Rodrigues e dos ex-governadores Raimundo Colombo, que é candidato ao Senado, e Jorge Bornhausen. Ele não tem como se declarar abertamente um bolsonarista, pois esta nunca foi sua posição pessoal. Todavia, não faltam aqueles aliados que façam isto por ele, o que o coloca como um dos postulantes ao voto conservador. A saída para Gean é assumir um discurso liberal, o que o aproxima dos bolsonaristas, sem o afastar dos sociais-democratas, que hoje constituem seu principal eleitorado.
Aos mais afoitos, convém lembrar que o formato das nuvens no céu, hoje, é este, todavia, ao menor vento, a configuração poderá ser totalmente outra.
Ralf Zimmer é confirmado como candidato ao governo
Tribunal Regional Eleitoral, através do juiz Willian Quadros, assegurou candidatura ao Governo do Estado do defensor público Ralf Zimmer (Pros). O ex-presidente do Pros, Euclides Pereira Neto, impetrou ação junto ao TRE solicitando a nulidade da convenção que homologou o nome de Ralf ao governo, e, ao mesmo tempo, querendo fazer valer outra convenção que oficializaria o partido como parte integrante da base de apoio do governador Carlos Moisés da Silva (Rep), que disputa a reeleição. A decisão no TRE é monocrática e em caráter liminar, mas, de todo modo, assegura a manutenção de Ralf Zimmer como candidato a governador. Ralf tem se mostrado um ferrenho crítico da atual gestão estadual, e promete profundas mudanças na máquina administrativa. Além dele, e do governador Carlos Moisés, outros oito candidatos estão disputando o governo de Santa Catarina: Alex Alano (PSTU), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Gean Loureiro (União), Jorge Boeira (PDT), Jorginho Mello (PL), Leandro Brugnago (PCO) e Odair Tramontin (Novo)
José Fritsch percorre a região, agora como suplente de Dário Berger
Candidato a primeiro suplente de Senado, na chapa encabeçada por Dário Berger (PSB), ex-deputado federal José Fritsch (PT) visitou vários líderes petistas de nossa região no dia de ontem, acompanhando pelo coordenador regional do partido, o ex-presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Araranguá, Ozair Banha da Silva. Fritsch abriu mão de uma eleição quase para a Câmara Federal para colaborar na tentativa de sintonizar Dário com o eleitor do PT. Sua primeira tarefa está sendo a de, literalmente, bater na porta de todos os principais líderes petistas do Estado buscando trazê-los para a campanha de Dário Berger, como se o mesmo fosse um candidato radicado diretamente no partido. A expectativa do PT é a de que os eleitores de esquerda do Estado se unam em torno deste projeto, o que poderia conferir a Dário cerca de 30% dos votos, o que provavelmente o elegeria. Esta é a tese.