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Política

Primeiro debate foi marcado pela precaução

Primeiro debate entre os postulantes ao Governo do Estado de Santa Catarina, no pleito eleitoral deste ano, realizado no sábado à noite, pelo SCC/SBT, ouviu as propostas do atual governador Carlos Moisés da Silva (Rep), do ex-deputado federal Décio Lima (PT), do senador Esperidião Amin (PP), do ex-prefeito de Florianópolis Gean Loureiro (UB), do ex-deputado federal Jorge Boeira (PDT), do senador Jorginho Mello (PL) e do promotor Odair Tramontin (NOVO). Os candidatos Alex Alano (PSTU), que é professor, e Leandro Brugnago (PCO), que é marceneiro, não foram convidados, pois a legislação eleitoral faculta a órgão promovedor do debate convidar apenas candidatos cujos partidos tenham representantes na Câmara Federal, o que não é o caso das legendas a que eles são filiados.

De um modo geral, todos os candidatos se saíram bem, mas a grande maioria perdeu a oportunidade de criar algo novo, para marcar presença. Quem mais conseguiu se ressaltar do grupo foi Décio Lima, justamente porque foi o único que defendeu abertamente o projeto de eleição presidencial de Lula da Silva (PT). No embalo, bateu abertamente no bolsonarismo, ao tempo em que enaltecia as gestões do PT junto ao Governo Federal. Em linhas gerais, o eleitor que não simpatiza com o bolsonarismo tende a migrar para o projeto de Décio. Mesmo que este público não atinja 30% do eleitorado catarinense, ainda assim já seria o suficiente para leva-lo para o segundo turno.

No que diz respeito a defesa do bolsonarismo, ela foi feita por Jorginho Mello, que é filiado ao partido do presidente Jair Bolsonaro, e também por Esperidião Amin. Ambos fizeram questão de demonstrar alinhamento com o Palácio do Planalto em todos os sentidos. Por suas vezes, Carlos Moisés e Gean Loureiro preferiram demonstrar neutralidade em relação ao projeto presidencial. Já Odair Tramontin se mostrou muito mais um anti-petista do que um bolsonarista, ao tempo em que Jorge Boeira buscou defender o projeto presidencial de Ciro Gomes (PDT), ainda que de forma muito sutil.

Afora Décio, que foi beneficiado pelo fato de ter surfado sozinho em um nicho ideológico, dois candidatos se saíram muito bem: Carlos Moisés, que conseguiu nivelar o debate por cima, e também Jorge Boeira, o único a conseguir criar uma epígrafe de campanha. Ao fazer uma defesa inconteste da educação pública em todos os níveis, incluindo o ensino integral para as séries básicas, Boeira acabou fazendo com que vários outros candidatos reforçassem sua tese. Na prática, levou os concorrentes a venderem seu peixe.

Interessante observar que nenhum candidato encurralou Carlos Moisés com a história dos respiradores, e os entraves na saúde catarinense também não foram devidamente explorados. Jorginho Mello foi quem mais se aproximou de um contraponto ao governador, foi quem mais quis rivalizar com o atual comandante do Estado.

Candidatos estavam muito precavidos

O que se observou no debate entre os candidatos ao governo catarinense, promovido pelo SCC/SBT, é que todos estavam muito mais preocupados em não errar, do que em acertar. Nitidamente, o experiente Esperidião Amin não utilizou a décima parte de seu conhecimento para enfrentar seus adversários. Pisou em ovos o tempo todo, chegando até mesmo a elogiar iniciativas do governador Carlos Moisés e do ex-deputado Jorge Boeira. Por sua vez, Gean Loureiro preferiu resumir sua participação a uma espécie de prestação de contas de sua gestão junto a Prefeitura de Florianópolis. Mesma prestação de contas que pautou a participação de Carlos Moisés, que perdeu a grande chance de quantificar e enumerar as parcerias realizadas com as prefeituras. A bem da verdade, com exceção de Boeira, faltou propostas reais, palpáveis, que motivem o grande eleitorado catarinense.

Debate não favoreceu quem estava indeciso

Em linhas gerais, os eleitores indecisos não conseguiram sair da indecisão por conta do debate do último sábado. A única exceção se aplica a Décio Lima, que, conforme ressaltado, não ficou com medo de abraçar o lulismo, reforçando sua aliança com os eleitores simpáticos ao pensamento de esquerda. Na via inversa, deve ter perdido todos aqueles indecisos que ainda supunham que ele pudesse ser um pouco mais moderado em relação ao bolsonarismo. É claro que uma campanha eleitoral com nove candidatos ao governo não ficará presa a diplomacia constatada no primeiro debate. Pela lógica, Carlos Moisés deverá ir para o segundo turno com relativa facilidade. Por conta disto, praticamente todos irão mirar nele, como também em seus oponentes diretos. Afora a estrutura política e de campanha, se ressaltará quem criar um nicho identificado com o pensamento médio da população catarinense.

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