Debate com os principais candidatos à Presidência da República, realizado no domingo à noite, pela Band TV, em cadeia com uma série de outros veículos de comunicação, acabou mostrando que a política brasileira chegou definitivamente no fundo do poço. Detentores de quase 80% das intenções de votos no pleito deste ano, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula da Silva (PT) conseguiram a primazia de não trazer nada de novo para a discussão política nacional. Em linhas gerais, Bolsonaro se deteve a falar mal de Lula, e Lula de deteve a falar mal de Bolsonaro. Ambos não se dignaram nem mesmo a mentir, prometendo alguma obra faraônica para a população. Neste quesito, Paulo Maluf (PP) fez falta.
Em que pese os desencontros ideológicos que norteiam as campanhas de ambos, o fato é que muito acima destas questões está o bem estar do povo brasileiro. Bem estar que passa necessariamente por investimentos em infraestrutura, em fomento à economia, em programas, de verdade, para a educação, para a cultura, para a saúde, e para todos os demais gargalos que têm feito o Brasil, há séculos, meramente dormir em berço esplendido, sem nunca, de fato, ter acordado para uma vida esplendida. A impressão que se têm é que Bolsonaro e Lula são meramente duas facetas da mesma moeda, que, com seus rancores, alimentam-se mutuamente.
É claro que o debate não se resumiu a Bolsonaro e a Lula, e, só por isto, ele valeu a pena. Valeu pelas posições claras de Simone Tebet (MDB), pelas ideias inovadoras de Felipe D’ávila (Novo) e pela astúcia de Ciro Gomes (PDT). Como sabemos, no entanto, eles não têm chances de evoluir no pleito eleitoral deste ano. Simone não tem sequer o apoio de seu partido. Felipe sequer tem um partido e Ciro sucumbe pela falta de estrutura partidária. O mais desesperador de nosso frágil sistema democrático é que nem eles, nem quaisquer outros candidatos, terão suas ideias levadas adiante, ainda que em parte, se Bolsonaro ou Lula ganhar. Ficaremos, meramente, apenas mais quatro anos focados em uma queda de braços cuja vitória, de quem quer que seja, não trará glória alguma.
É triste vermos uma Nação com nosso gigantismo e riqueza se arrastar de maneira tão vexatória. Todavia, convém lembrar que os que aí estão não são fruto do acaso. Eles emanam de nosso inconsciente e consciente coletivo, e, neste sentido, precisamos fazer uma grande reflexão, afinal de contas, parece que não merecemos tão pouco, diante de tanto que podemos ter.
Boeira estará em campanha Araranguá amanhã
Candidato ao Governo do Estado pelo PDT, ex-deputado federal Jorge Boeira passará boa parte do dia, amanhã, em Araranguá. Entre os compromissos estão entrevistas para a imprensa regional, encontro com lideranças do PDT do Extremo Sul e, possivelmente, uma caminhada pelo centro da cidade, promovendo contato direto com a população. Boeira tem promovido uma campanha fortemente vinculada a defesa da educação, que acaba sendo reforçada pelo próprio histórico de seu partido. A retórica vinculada a este segmento também tem sido benéfica para Boeira, já que os demais candidatos, em todos os debates até agora realizados, acabaram fortalecendo seu pensamento, e se irmanando a ele. Como Boeira não bate em ninguém, acaba também não sendo atacado, o que lhe confere espaço dentro da chamada boa política.
Gean é o melhor na TV, e Amin o que mais precisa melhorar
Campanha televisiva de Gean Loureiro (União), ao Governo do Estado, é a melhor dentre todas as apresentadas até agora. Tem conteúdo, plástica, e lógica cronológica. Afora isto, o roteiro é muito bem feito. Trata-se de um material de alto nível. Por outro lado, dentre os principais candidatos, quem mais tem deixado a desejar neste quesito é Esperidião Amin (PP), cujo material parece ser fruto do improviso. Amin tem tudo para chegar ao segundo turno, mas sua campanha midiática precisa ser profissionalizada. Sabe-se lá como, faltando pouco mais de um mês para a votação do dia 2 de Outubro, mas para tudo há um jeito. Para quem analisa política, questões como estas ainda não uma incógnita. De repente, um candidato como Amin, que tem reais chances de chegar ao segundo turno, e vencer a eleição, sequer passa para a segunda etapa, meramente por falta de uma melhor organização.