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Polêmica: Festa de Diretora da Vogue com tema Racista

Donata Meirelles, diretora de estilo da Vogue Brasil, comemorou na última sexta (8) seu cinquentenário aniversário com uma festa com temática de Candomblé, em Salvador.

Não demorou muito para as fotos do evento serem replicadas pelas redes sociais recebendo uma série de críticas pelo teor racista, onde a aniversariante e seus convidados posam em uma cadeira que se assemelha a de Sinhá, junto a mulheres negras vestidas de branco remetendo a mucamas, ou seja, escravas, sendo comparadas à imagens do período Brasil Colônia.

Após a repercussão negativa, Donata Meirelles fez uma postagem em suas redes sociais, no sábado (9), pedindo desculpas pela causa da ‘’má impressão’’.

A diretora da Vogue Brasil tentou justificar, afirmando que as mulheres que foram interpretadas como escravas vestiam, na verdade, “trajes de baiana de festa” e a cadeira que se assemelha à de Sinhá, era de Candomblé. Fato este que não deixa de perpetuar o racismo estrutural enraizado na sociedade, onde o branco se apropria da religião e cultura que não lhe pertence, utilizando ainda o negro como decoração.

O antropólogo e historiador Hélio Menezes se posicionou refletindo sobre o símbolo principal da imagem, a cadeira de Candomblé, que se trata da versão estilizada da cadeira Pavão de Vime, objeto que se tornou emblemático das resistências e ativismos negros.

Porque a religião afro-brasileira é demonizada, e quando Donata Meirelles aparece sentada em tal cadeira é visto como elegante e de bom gosto?

Personalidades resistentes como Elsa Soares, Taís Araújo e Bela Gil também se posicionaram.

 “Faço um alerta! Quer ser elegante? Pense no quanto pode machucar o próximo, sua memória, os flagelos do seu povo, ao escolher um tema para “enfeitar” um momento feliz da vida. Felicidade às custas do constrangimento do próximo, seja ele de qual raça for, não é felicidade, é dor. O limite é tênue. Elegância é ponderar, por mais inocente que sua ação pareça. A carne mais barata do mercado FOI a carne negra e agora NÃO é mais. Gritaremos isso pra quem não compreendeu ainda. Escravizar, nem de brincadeira.” Postou Elza Soares sobre a elitização acerca do assunto fazendo analogia ao refrão de sua música A Carne.

Na terça-feira posterior (12) a Vogue Brasil emitiu uma nota de esclarecimento.

“Em relação às manifestações referentes à festa de 50 anos de Donata Meirelles, a Vogue Brasil lamenta profundamente o ocorrido e espera que o debate gerado sirva de aprendizado. Nós acreditamos em ações afirmativas e propositivas e também que a empatia é a melhor alternativa para a construção de uma sociedade mais justa, em que as desigualdades históricas do País sejam debatidas e enfrentadas. Em busca da evolução constante que sempre nos pautou, aproveitamos a reflexão gerada para ampliar as vozes dentro da equipe e criar, em caráter permanente, um fórum formado por ativistas e estudiosos que ajudarão a definir conteúdos e imagens que combatam essas desigualdades.”

Por décadas o mercado de moda afirmou padrões de beleza que reforça a beleza branca e magra. Felizmente, nos últimos anos parte do mercado vem entendendo a ferramenta política e social que a moda é, trazendo viabilidades que não reforçam tal estrutura de padrão eurocêntrico, utilizando a moda em prol do respeito às diferenças, afinal, parece que temos uma dívida histórica.

 

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