Comunidade de Jardim Ultramar reclama há anos do descaso com a avenida
Moradores da comunidade de Jardim Ultramar, em Balneário Gaivota, convivem há anos com uma triste realidade. A Sexta Avenida, conhecida popularmente como Valão, que deveria ser a principal via de ligação entre a Avenida Interpraias e a Beira Mar, se tornou um risco para a saúde física e mental das famílias locais, que com esforço e dignidade construíram suas casas, pagaram seus impostos e hoje se sentem abandonados pelo poder público.
O que encontramos no local é um enorme valo em meio a Avenida, com esgoto a céu aberto, cheio de mato e com todo o tipo de lixo espalhado ao seu redor. A triste realidade põe em risco a saúde das famílias, contamina o ar com o mal cheiro e gera insegurança para os moradores. A ausência de iluminação pública condizente com as necessidades dos moradores, e os inúmeros buracos ao longo do trajeto, dificultam o acesso durante a noite e cria um cenário propício para uso de drogas, furtos, e outros crimes.
Para a moradora Vera Lúcia Batistela, de 58 anos, um dos maiores incômodos é a enorme quantidade de mosquitos que se criam no valo e invadem as casas no final do dia. “Temos muito medo das doenças que os mosquitos transmitem, principalmente a dengue”, diz Vera. O seu esposo, Tiago Batistela, reclama dos lixos que são jogados nas marginais do valão e nos terrenos baldios, durante a noite. Ele precisa limpar constantemente os terrenos vizinhos para evitar que a situação piore ainda mais. “Algumas pessoas aproveitam a falta de iluminação para descartar todo o tipo de lixo aqui, da noite para o dia aparecem sofás velhos, TVs, e tudo o que puder imaginar”, comenta Tiago. Ele conta que esteve várias vezes na prefeitura pedindo que colocassem iluminação nos postes e nada foi feito. “Pagamos IPTU, taxa de coleta de lixo e taxa de iluminação pública, mas o retorno não vem”, desabafa.
Para Domingos Anacleto, de 47 anos, que também tem sua casa as margens da Sexta Avenida, a espera por uma solução tem sido cansativa. Por conta disto, ele mesmo pega uma foice e corta os matos maiores dentro do valão. “O mato cresce muito e eu tenho que cortar, se não tem o risco dos vagabundos ficarem escondidos à noite para roubar as casas”, comenta Domingos, assustado com a situação em que a Avenida chegou.