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Pesquisa inédita feita em SC estuda efeito do canabidiol em autistas

Estudo é o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de uma aluna da universidade; primeiros resultados são promissores, aponta a instituição.

Uma pesquisa inédita no Brasil está sendo desenvolvida por uma estudante do sétimo período de Medicina da Universidade Regional de Blumenau (Furb). O estudo busca entender quais são os efeitos do canabidiol em portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O trabalho é de conclusão de curso, e é o primeiro no país a estudar a substância associada ao tratamento de comportamentos do autismo.

A fase inicial da pesquisa é feita com ratos, que são induzidos ao autismo em laboratório. A estudante Sheila Wayszceyk explica que é injetado um ácido nas fêmeas entre o terceiro e o 12º dia de gestação, que faz com que os filhotes nasçam com comportamento autista.

A pesquisa passou por avaliação e recebeu aprovação para ser executada do Comitê de Ética da Furb. Esse é um procedimento necessário em estudos com animais.

A aplicação da substância tenta imitar o processo que acontece no corpo humano, já que há sólidos estudos que mostram que o ácido valpróico pode ser uma das causas do autismo.

Enquanto metade das fêmeas recebe o ácido, a outra metade recebe soro fisiológico, para formar um grupo de controle. São 81 ratinhos no total, e 39 deles nasceram com comportamento tipo autista.

São feitos testes comportamentais com os animais em campo aberto e de interação social. Segundo a estudante, o resultado mostra que a pesquisa tem atingido as expectativas: o canabidiol tem ajudado na ansiedade dos animais que desenvolveram comportamento autista.

Depois da fase de testes começa a parte de análise estatística e escrita do estudo. Sheila espera que a pesquisa possa contribuir para o desenvolvimento das pessoas que nascem com o TEA.

A professora Débora Delwing Dal Magro, doutora em Ciências Biológicas que orienta o projeto, explica que entre as alterações comportamentais do TEA estão a agressividade e hiperatividade. O objetivo é que o canabidiol torne a pessoa mais tranquila, para que possa ter mais qualidade de vida e um melhor desenvolvimento.

Segundo ambas, o principal diferencial do estudo é que aborda a questão medicamentosa com uma planta natural. O objetivo principal das pesquisadoras é identificar doses seguras da substância, que poderia ser usada por crianças, pré-adolescentes e adultos.

A pesquisa conta ainda com a parceria das professoras Daniela Delwing de Lima, da Universidade da Região de Joinville (Univille) e Ângela Wyse, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS).

O que é o canabidiol

O canabidiol é um óleo extraído da planta Cannabis, também conhecido como CBD. Ele pode ser usado no tratamento de várias doenças, como a esclerose múltipla, esquizofrenia, mal de Parkinson, epilepsia ou ansiedade.

No começo de novembro, dois novos medicamentos à base de canabidiol foram aprovados pela Anvisa no Brasil. Com essa autorização, são sete produtos com esse princípio ativo liberados para uso no país.

A substância foi autorizada para o tratamento de epilepsia pelo Conselho Federal de Medicina em 2014.

Fonte: NSC Total

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