Ontem, dia 21, no dia em que se celebra a Luta Nacional pelos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Portal Uaaau recebeu o desabafo de uma mãe.
A Flaviana Rocho é mãe do Caio, um menino de dez anos que tem autismo e necessita de atendimento especializado, e tem enfrentado problemas para conseguir o que é um direito.
Ela relata que a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE de São João do Sul não tem mais realizado atendimento para as crianças da idade do Caio. Estes atendimentos no momento são de responsabilidade da Prefeitura Municipal.
No entanto, há cerca de um mês, segundo Flaviana, o menino não tem recebido atendimento devido à falta de um veículo para o transporte. Ela ainda comenta sobre a alta rotatividade de profissionais, como o psicólogo, o que poderia prejudicar o atendimento.
O Portal Uaaau conversou com a secretária municipal de educação, Rita Aparecida da Silva Laureano para entender a situação.
Sobre a ausência do carro, ela explica que o carro está no conserto, devido a uma avaria: “Bateram no carro e ele está no conserto. Entrou para conserto dia 13/09, antes disso estava normal. Estamos em processo para compra de um outro carro novo. As crianças que dependem inteiramente do carro e que os pais não se dispuseram a traze-los estão a semana passada e essa sem atendimento. Outros vem no transporte escolar e os pais vem buscar nos atendimentos.”
Quanto a alta rotatividade dos profissionais, a secretária relata o seguinte: “A administração municipal segue algumas regras para contratação, que é o processo seletivo. Há uma grande rotatividade de professores e segundos professores, os profissionais de atendimentos especializados dificilmente muda. Porém este ano nossa fonoaudióloga efetiva teve alguns problemas de saúde onde precisou se afastar, e na semana passada solicitou exoneração. E uma das psicólogas reduziu carga horária, sendo contratada uma nova seguindo o processo seletivo.”
Veja a carta na íntegra:
“DIA 21 DE SETEMBRO - DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Desabafo de uma mãe.
Sou Flaviana, mãe do Caio, autista não verbal de 10 anos, moramos em São João do Sul, Extremo Sul Catarinense.
Meu filho foi diagnosticado com grau severo de Autismo, aliados a um transtorno sensorial e seletividade alimentar.
Para que ele possa se desenvolver são necessárias terapias especializadas aa quais os municípios não oferecem. A rotatividade de profissionais, a falta de qualificação os baixos salários são alguns dos problemas enfrentados para contratação de profissionais.
Entrei na justiça na promotoria de Santa Rosa do Sul em 2019, e ainda essa semana recebi a informação de que o município solicitou uma perícia médica questionando se há realmente a necessidade, sendo que ele é atendido pela rede municipal desde pré-escolar.
Hoje, dia 21 de setembro, é o Dia de Luta Nacional pelos Direitos da Pessoa com Deficiência e seria dia dele ter AEE ( atendimento educacional especializado), no entanto, não teve acesso ao atendimento por não haver transporte disponibilizado pela prefeitura. Estamos há mais de um mês nessa situação.

Caio necessita de cuidados especiais, assim, me dedico exclusivamente a ele e não tenho como trabalhar fora. (Realidade de muitas mães que possuem filhos nas condições de Caio)
Necessito de transporte via prefeitura por não possuir meios próprios de locomoção.
As leis existem na teoria. Precisamos lutar para que elas sejam cumpridas e todas as pessoas com Deficiência possam ter acesso às ferramentas que lhes proporcionam qualidade de vida.
Que a inclusão social realmente aconteça é meu pedido de socorro nesse dia
Lei 13/146 Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.
Oficialmente, esta data foi criada a partir da Lei nº 11.133, de 14 de julho de 2005, mas já era celebrada a nível extraoficial desde 1982.
A criação do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi uma iniciativa do Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes – MDPD, grupo que debate propostas de transformações sociais em prol das pessoas com deficiência desde 1979.
Flaviana Rocho”
Fonte: Potyra Pereira