São inúmeras as questões que geram o debate sobre as causas do aumento exponencial do preço do dólar no Brasil, hoje cotado pelo recorde histórico de R$ 4,75. Todas as referidas questões influenciadas por um lado diferente do jogo político, algumas para se eximir da culpa e outras para apontar culpados, por isso o foco do presente texto não é se aprofundar nas causas, que são variadas, mas sim nas consequências do aumento do preço do dólar.
A maioria do povo brasileiro, que sequer aspira em fazer uma viagem ao estrangeiro pela falta de condições que dispõe, ao ver a notícia do aumento do dólar se mantém anestesiado e indiferente, pensando que tal condição não afeta o cotidiano difícil da vida brasileira, porém, a triste verdade é que afeta, e muito.
É fato que o trabalhador brasileiro em sua maioria não compra dólar, mas come pão, sem saber que o Brasil não é autossuficiente em trigo e precisa importar a maioria de seus grãos para produzir o pão que chega na mesa do brasileiro, sendo óbvio que essa conta é paga em dólar, portanto se o dólar sobe, o preço do pão também sobe. O trabalhador brasileiro não compra dólar, mas toma remédio, sem saber que 85% da química fina utilizada na produção dos remédios comercializados no Brasil é importada, sendo óbvio que essa conta também é paga em dólar, portanto se o dólar sobe, o preço do remédio também sobe. O trabalhador brasileiro não compra dólar, mas usa transporte público, sem saber que o óleo diesel que abastece o seu ônibus é refinado e importado no exterior, por consequência, quando o dólar sobe, o preço da passagem do ônibus também sobe.
Esses são exemplos caricatos, mas é possível encontrar a dependência brasileira do exterior em qualquer passo da vida cotidiana do nosso povo, desde o celular que usa para seu trabalho até os insumos necessários ao plantio da agricultura brasileira, todos importados e sensíveis ao preço do dólar.
Portanto é preciso exigir dos nossos governantes que, para além de combater as causas do aumento do dólar, é também preciso combater a imensa dependência tecnológica que nosso país demanda do estrangeiro, uma vez que qualquer alteração em nossa taxa de câmbio escancara nossa fragilidade, fazendo com que nosso povo seja obrigado a ver o poder de compra de seu salário diminuir drasticamente, sem entender as causas e motivos.
Para fazer esse combate, a primeira decisão a se tomar é fazer a opção pela defesa da soberania nacional através de um projeto de desenvolvimento, que traga de volta a importância da indústria brasileira em desenvolver e aperfeiçoar novas tecnologias ao uso cotidiano, convergindo a força dos empresários e da academia brasileira ao mesmo projeto. O Brasil vem se desindustrializando a cada dia que passa, hoje apenas 12% do nosso PIB é oriundo do nosso poder industrial. Indústrias fecham a cada dia que passa no nosso território nacional, só no período de janeiro a maio de 2019, 2.325 fábricas fecharam no estado de São Paulo. Se continuarmos nesse ritmo, o Brasil se tornará um mero exportador de minério de ferro, soja e carne, enquanto necessita comprar de fora tudo que é essencial para a vida cotidiana, essa cada vez mais moderna e tecnológica.