A economia de Santa Catarina vem crescendo e gerando empregos. O PIB (Produto Interno Bruto) é o sexto maior do país: cresceu 9,1% de julho de 2020 a junho de 2021. A taxa de desemprego é a menor do Brasil: 5,8%. Mas é só ir num supermercado para constatar que a vida não está tão fácil como refletem os números.
Reclamações sobre o preço das carnes, das frutas e legumes e até de almoçar fora de casa são recorrentes. É o efeito da inflação, um fenômeno que acontece sempre que existe mais demanda do que produtos para entregar.
Vamos supor que 10 pessoas querem comprar uma geladeira, mas a indústria só está conseguindo fabricar oito por falta de peças que são importadas, por exemplo. Significa que duas pessoas não vão poder comprar. Essa escassez do produto, causada muitas vezes por fatores externos, provoca o aumento no preço, gerando, assim, a inflação.
O mercado financeiro elevou de novo a projeção da inflação para este ano, de 8% para 8,45%, de acordo com o último boletim Focus do Banco Central.
O principal termômetro dessa alta da inflação são os alimentos. “O valor da cesta básica é um indicador importante do custo de vida das pessoas”, aponta o economista do Dieese, José Álvaro Cardoso.
Em agosto, Florianópolis teve a segunda cesta básica mais cara do Brasil pelo segundo mês consecutivo, custando R$ 659. Uma variação de 24,24% nos últimos 12 meses. A carne, por exemplo, tem sido um dos produtos mais caros e que as pessoas mais reclamam.
O gerente executivo do Sindicarne/SC, Jorge Luiz de Lima, explica que existe toda uma cadeia produtiva nesse meio que foi afetada pela crise, “desde a saída da fábrica ao valor do frete, pela alta dos combustíveis. No setor de aves e suínos, nós tivemos 34% a mais no custo de produção”, afirma.
Mas, então, o que pode ser feito na prática para diminuir a inflação? Uma das saídas é aumentar a taxa de juros para controlar o consumo. É a famosa Taxa Selic. O Conselho Monetário Nacional já planeja subir os juros, que hoje estão em 6,25% para 8,25% até o fim do ano.