Saiba tudo sobre Psicologia Afirmativa e formas de combater a homofobia familiar
De acordo com Klecius Borges, em seu livro “Terapia Afirmativa”, para a Psicologia Afirmativa, é “a homofobia, e não a homossexualidade por si mesma, a principal responsável pela maior parte dos conflitos vivenciados pelos indivíduos não heterossexuais. Por essa razão, os psicoterapeutas que adotam essa abordagem, independentemente de sua linha teórica, ao ajudarem seus pacientes a construir uma identidade de gênero positiva, transmitem aos pacientes um absoluto respeito por sua sexualidade, sua cultura e seu estilo de vida. Atuam buscando compreender tanto as variáveis da dinâmica pessoal, quanto as variáveis sociais relativas às diferentes formas de preconceito e opressão que os homossexuais estão submetidos”.
A homofobia é o medo ou aversão, manifestado através de uma série de atitudes e sentimentos negativos em relação a gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e intersexuais. Esse tipo de fobia pode ser observado em comportamentos críticos, hostis, discriminatórios e, muitas vezes, violentos que envolvem antipatia, desprezo e preconceito manifesto contra pessoas que manifestem uma orientação sexual ou de gênero não heterossexual.
Em um discurso de 1998, Coretta Scott King, ativista e líder dos direitos civis, declarou que “a homofobia é como o racismo, o anti-semitismo e outras formas de intolerância, na medida em que procura desumanizar um grande grupo de pessoas, negar sua humanidade, dignidade e personalidade”. Em 1991, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.
Em 2011, em referência ao Dia Internacional contra a Homofobia, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, declarou que: “...em última análise, a homofobia e a transfobia não são diferentes do sexismo, da misoginia, do racismo ou da xenofobia. Mas enquanto essas últimas formas de preconceito são universalmente condenadas pelos governos, a homofobia e a transfobia são muitas vezes negligenciadas. A história nos mostra o terrível preço humano da discriminação e do preconceito. Ninguém tem o direito de tratar um grupo de pessoas como sendo de menor valor, menos merecedores ou menos dignos de respeito”.
A homofobia se manifesta de várias formas e diferentes tipos têm sido registrados, entre eles estão: a homofobia internalizada, a homofobia familiar, a homofobia social, a homofobia emocional, a homofobia racionalizada, além de outros.
Entre os vários tipos citados a homofobia familiar é talvez a mais grave, pois tem origem no grupo familiar a que pertence o indivíduo que apresenta uma orientação sexual ou de gênero não heterossexual, sendo manifestada através de diferentes comportamentos aversivos, entre os quais a rejeição, o abandono, a negação, a exclusão e a violência física e moral. A consequencia deste tipo de homofobia é a diminuição da autoestima do indivíduo não heterossexual que pode levá-lo à exclusão social, ao adoecimento físico e psicológico, uso de drogas e álcool, prostituição, depressão e, infelizmente, muitas vezes, ao suicídio.
Para combater a homofobia, a comunidade LGBT usa eventos como as paradas do orgulho gay e o ativismo político. Uma forma de resistência organizada à homofobia é o Dia Internacional contra a Homofobia, celebrado pela primeira vez em 17 de maio de 2005. Os quatro maiores países da América Latina (Argentina, Brasil, México e Colômbia) desenvolvem campanhas de mídia de massa contra a homofobia desde 2002.
Nesse sentido, as campanhas educativas, especialmente nas escolas, baseadas nas descobertas e estudos da Psicologia Afirmativa, podem atuar de forma preventiva criando uma massa crítica de conhecimentos que visam esclarecer para as famílias que a orientação sexual não é uma escolha, mas uma forma específica pela qual o desejo sexual se organiza na mente do indivíduo. O sucesso desta estratégia preventiva contra o preconceito homofóbico e o bullying nas escolas têm incluído ensinar os alunos sobre importantes figuras históricas que eram gays ou que sofreram discriminação por causa de sua sexualidade. O combate à homofobia familiar é o passo mais importante para combater as outras formas de homofobia que se originam dela.
PAULO COGO
Psicólogo – CRP 6362
Fonte: Top Saúde