O excesso no sangue provoca o aumento de coágulos e entupimento das artérias
As doenças vasculares são a principal causa de morte em países ocidentais, sendo responsáveis, no Brasil, por cerca de 30% dos óbitos. Os fatores de risco clássicos para as doenças vasculares são a hipercolesterolemia, a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes melito, o tabagismo, a obesidade, o sedentarismo e os antecedentes familiares.
Entretanto, vários estudos têm identificado relação entre concentrações plasmáticas elevadas de homocisteína e doenças vasculares. Aminoácido natural, a homocisteína é produzida após a ingestão de carnes e laticínios. Ela surge em nosso organismo como um produto do metabolismo da metionina. Esse é o caminho natural da homocisteína no organismo. O Dr. Demian Knabben, Pós-graduado em Medicina do Esporte e do Exercício, relata que se esse ciclo não for corretamente seguido, pode haver prejuízo a saúde. Porém, o excesso da substância no sangue provoca o aumento do risco de coágulos e entupimento das artérias e contribui para a formação de depósitos de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos. “É a homocisteína, e não o colesterol, a substância que dá início às lesões vasculares que causam o infarto”, diz o Dr. Knabben.
O colesterol elevado é considerado o inimigo número um do coração. Mas, o verdadeiro vilão da história é a homocisteína. O nível de homocisteína elevado no sangue, assim como o de colesterol, aumenta o risco de doenças cardíacas, podendo evoluir para um infarto, até mesmo em pessoas jovens.
Os mecanismos exatos pelos quais a hiper-homocisteinemia favorece o desenvolvimento de doenças vasculares não são totalmente compreendidos. Este quadro parece causar principalmente alterações do endotélio vascular, ativação plaquetária e trombose.
A concentração plasmática de homocisteína é influenciada tanto por fatores nutricionais, quanto por fatores hereditários, além de estados patológicos, como a redução da função renal e o hipotireoidismo.As vitaminas B6, B12 e ácido fólico são responsáveis em manter a concentração de homocisteína normalizada. Estudos apontam que os altos níveis de homocisteína no sangue podem estar relacionados com a deficiência dessas substâncias. Uma dieta alimentar adequada, rica em frutas cítricas, vegetais – especialmente os de folhas verdes – cereais, lentilha, aspargo, espinafre, feijão pode evitar os altos níveis da substância inimiga do coração.
Alguns estudos demonstraram que houve redução significativa na concentração de homocisteína naqueles indivíduos submetidos a um programa regular de exercício físico, quando comparados aos seus controles sedentários. Assim, sugere-se que indivíduos que praticam exercício físico regularmente, parecem ter seus níveis de homocisteína significativamente reduzidos, podendo contribuir na prevenção e/ou tratamento das doenças cardiovasculares.
Estimular o consumo de alimentos fontes dessas vitaminas do complexo B constitui um método simples, eficaz e econômico na prevenção da hiper-homocisteinemia. Outra forma terapêutica possível é fundamentada na suplementação com cápsulas ou comprimidos contendo ácido fólico isolado ou em associação com vitaminas B12 e B6. A normalização das concentrações plasmáticas de homocisteína ocorre, em média, dentro de quatro a seis semanas após o início do tratamento.
A homocisteína é medida por meio de um simples exame de sangue. O nível saudável está entre 5 e 15 micromoles por litro (mmol/l). Nos países desenvolvidos esse tipo de exame se tornou obrigatório. A homocisteína ainda é desconhecida por grande parte da população, principalmente no Brasil. Os riscos que os altos índices da substância podem causar são sérios e está provado que ela é bem pior que o colesterol.
Dr. DemianKnabben
CRM 15141 – Pós-graduado em Medicina do Esporte e do Exercício
Fonte: Top Saúde