Perguntas e respostas sobre uma das doenças mais difíceis de se diagnosticar.
O que é o autismo?
O Dia Mundial do Autismo, anualmente em 2 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas, em 18 de Dezembro de 2007, para a conscientização acerca dessa questão. Os transtornos do espectro autista representam um contínuo de condições associadas em que se apresentam os seguintes sintomas: déficit na socialização e comunicação e padrões repetitivos de comportamento.
O autismo é comum?
A prevalência de autismo aumentou dramaticamente nas últimas décadas, a ponto de ter se tornado a desordem comportamental mais comum. Recentemente, em 2006, a prevalência do autismo encontra-se em cerca de 9 casos para cada mil crianças. Os critérios diagnósticos evoluíram muito permitindo um diagnóstico mais acertado e hoje existe uma conscientização cada vez maior da população acerca do assunto permitindo que pais e professores fiquem cada vez mais atentos, cada vez mais cedo para os sintomas.
Quais são os sintomas do autismo?
Chama a atenção:
1 a 2 anos de idade:Ausência da “ansiedade de separação”, não imita (não dá tchau), ausência de linguagem (palavras/sons sem sentido), prejuízo do contato social e visual, não brinca
2 a 3 anos de idade: Não interage com outras pessoas, fala limitada ou uso de jargão, resposta pobre a voz ou comandos, não brinca simbolicamente, fascínio, estereotipias, ausência de gestos
3 a 5 anos de idade:Isolamento social, ecolalias, idade escolar, interação social pobre, linguagem, se presente é muito simplificada, ausência de imaginação, interesses restritos
Como se classificam as crianças com autismo?
Autismo: Os critérios diagnósticos: Síndrome de Asperger: Na síndrome de Asperger, a diferença maior encontra-se na aquisição da linguagem, não existindo um atraso clinicamente significativo na linguagem precoce (palavras isoladas aos 2 anos de idade e frases aos 3 anos de idade). Bem como, via de regra, encontra-se uma função cognitiva normal ou próxima do normal. Os demais sintomas como o comprometimento qualitativo na interação social e os padrões restritos e repetitivos de comportamento e interesses são idênticos ao das crianças autistas
Síndrome Desintegrativa da Infância: É uma condição rara na qual encontra-se um desenvolvimento neurológico absolutamente normal até os 24 meses de idade seguida por uma perda da linguagem e do contato social culminando com quadro clínico típico de autismo.
Transtornospervasivos não especificados: Esse diagnóstico é utilizado quando são encontrados sintomas típicos do autismo como: comprometimento da interação social, da linguagem e presença de interesses e padrões repetitivos e restritos de comportamento,mas a crianças não preenche integralmente todos os critérios diagnósticos.Essa classificação é a utilizada hoje em dia, entretanto, essa classificação deve e está sendo revisada. Por vários motivos.
Aqueles que se encontram diariamente avaliando crianças com quadro clínico suspeito de autismo infantil, encontram diariamente, dificuldades em “encaixar” o paciente em uma das categorias.Por exemplo: Sempre que encontramos uma criança com sintomas autistas e uma linguagem relativamente boa, devemos nos perguntar: Trata-se de uma criança com síndrome de Asperger ou uma criança com autismo, mas que foi adequadamente estimulada? Mais ainda, sempre que familiares referem que acriança era absolutamente normal até certa idade a pergunta que faço é: “trata-se de um transtorno desintegrativo (que é raro) ou os sintomas sempre estiveram ali mas o reconhecimento se deu um pouco mais tarde? Essas perguntas, na maior parte das vezes ficam sem resposta tornando essa atual classificação pouco prática.
Autismo atípico:
Aqui encontra-se um termo em paralelo com o quadro autista-like. Pacientes com sintomas compatíveis com autismo, mas que apresentam outras alterações neurológicas como fatores causais.Por exemplo. Podemos encontrar crianças com sintomas compatíveis com autismo secundário a: mal-formações cerebrais, doenças metabólicas (como fenilcetonúria), e síndromes genéticas.
Veja as principais síndromes genéticas/hereditárias que cursam com sintomas compatíveis aos do autismo:
Síndrome de Down: Alguns estudos (Capone et al. 2005, Lowenthal et al. 2007) mostram que em até 39% dos pacientes com síndromes de Down encontram-se sintomas compatíveis com o diagnóstico de autismo.
Síndrome do X-frágil: 21 a 50%
Esclerose Tuberosa: 24 a 60%
Síndrome de Prader-Willi e Síndrome de Angelmann: Muitas crianças apresentam sintomas sobrepostos das síndromes genéticas e autismo.
Síndrome velocardiofacial / deleção do cromossomo 22q11 / síndrome 15q.
Salienta Dr. Jaime, “acredito ser de fundamental importância a avaliação neuropediátrica adequada de todas as crianças com sintomas compatíveis com autismo. Como não existem “regras” bem estabelecidas quanto a quais exames devem ser solicitados (eletroencefalograma, ressonância magnética, exames laboratoriais, exames genéticos) é de fundamental importância uma adequada investigação clínica e interdisciplinar para se chegar ao diagnóstico adequado.”
Dr. Jaime Lin - Neuropediatra CRM - 11401
Fonte: Top Saúde
Foto: Anna Kolosyuk/ Unsplash